O debate sobre a segurança na realização de procedimentos estéticos no Brasil padece de uma lacuna crônica: a total ausência de dados epidemiológicos confiáveis. Enquanto assistimos à proliferação desordenada de complicações decorrentes de intervenções invasivas —como necrose tecidual, infecções severas e choques anafiláticos—, o real tamanho dessa moléstia social permanece oculto.
Trata-se de um assunto perigosamente requentado. Anos atrás, as páginas desta Folha já acendiam o alerta ao abordar a urgência da notificação compulsória —uma bandeira levantada a partir de tese de doutoramento no programa de pós-graduação em Saúde Baseada em Evidências da Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP).
A urgência de uma resposta regulatória estrutural ficou evidente no recente episódio envolvendo o peeling de fenol. Após a trágica morte de um jovem submetido ao procedimento por uma influenciadora digital com formação obtida na internet, a reação das autoridades foi o banimento generalizado do produto pela Anvisa, em vez de se restringir e segregar a aplicação do composto exclusivamente a médicos habilitados. Essa abordagem baseada na proibição da substância, e não no controle rigoroso do ato, penaliza a ciência e falha em proteger a sociedade.












