O delegado Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) da Polícia Civil de São Paulo, registrou boletim de ocorrência nesta sexta-feira (3) após ser avisado de que seu nome teria sido citado em uma conversa interceptada pela Polícia Federal. O diálogo envolve uma suposta cobrança de propina de R$ 100 mil.

Conforme registro policial, Lopes afirma ter sido procurado por um jornalista do portal G1, que o alertou sobre uma suposta conversa mantida em 24 de maio de 2024 entre Victor Henrique de Oliveira Shimada e o advogado Romany Cutolo Bonente.

O trecho atribuído ao advogado, identificado na investigação como "Roma", foi extraído do celular de Shimada. Ele é apontado pela PF como suspeito de integrar a organização investigada e alvo de sanções do governo dos EUA por suposta ligação com o PCC.

"Eu tenho que mandar R$ 100 mil pro Fabio Caipira do Deic, entendeu? Eu tenho que mandar e ponto, acabou", diz Bonente no áudio, segundo a reportagem do G1, que reproduz transcrição existente na decisão judicial que autorizou a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3) contra Shimada.

Lopes, que era diretor do Deic em 2024, afirmou no boletim que não conhece os envolvidos e que nunca manteve relação pessoal ou profissional com eles. Também disse que jamais solicitou ou recebeu qualquer quantia das pessoas citadas e que elas nunca foram investigadas por ele.