Um vídeo obtido no âmbito de uma investigação do Ministério Público de São Paulo mostra um encontro entre o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), da Polícia Civil de Campinas, com um empresário investigado por participar de um plano para assassinar um promotor. As imagens foram reveladas pela Globonews e confirmadas pelo GLOBO. No vídeo, o investigador Maurício Aparecido de Oliveira, de camiseta branca, senta-se com o empresário José Ricardo Ramos, vestido de preto, uma semana antes da deflagração da operação Pronta Resposta. O empresário é um dos principais acusados da execução do plano para matar o promotor de justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas. No material apreendido pela Promotoria, foram localizados vídeos que mostram o encontro realizado entre os investigados, justamente às vésperas da deflagração da operação que viria a frustrar o suposto atentado contra o membro do Ministério Público. O teor do diálogo no encontro flagrado está sendo apurado pela Promotoria. O Gaeco investiga as informações privilegiadas e sensíveis que teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia. Oliveira foi preso na operação de hoje. O empresário José Ricardo Ramos já havia sido preso na operação Pronta Resposta. Infiltrados Além do chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foram presos na operação deflagrada nesta terça-feira por suspeita de serem infiltrados do Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações que baseiam a Operação Infiltrados apontam que os três estariam envolvidos no plano para matar o promotor Gaeco e num esquema de extorsão de investigados. Agentes saíram às ruas para cumprir os três mandados de prisão, de natureza temporária, e outros dez de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista, incluindo uma ordem expedida contra um policial penal. O investigador-chefe que foi preso trabalhava na Dise de Campinas na época de duas operações deflagradas para apurar o plano de assassinato de um promotor e um esquema de lavagem de dinheiro associado a dois traficantes. Já o ex-estagiário do MP-SP, hoje advogado, atuava numa promotoria criminal em Campinas e receberia ajuda do ex-policial civil alvo de mandado de prisão. A identidade dele não foi revelada. A operação desta terça-feira é desdobramento de outras duas ações — a Operação Pronta Resposta, de 22 de agosto do ano passado, que apurou atuação de organização criminosa ligada ao PCC que estaria planejando matar o promotor de justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho; e a Operação Off White, realizada em 30 de outubro, para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligados a dois traficantes, incluindo Sérgio Luiz de Freitas. Mijão, como é conhecido, é apontado como integrante da sintonia final do PCC e figura na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, elaborada pelo Ministério da Justiça. Após as duas operações, o Gaeco também constatou que um membro da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão de uma pessoa que tinha informações privilegiadas. Os investigadores descobriram que o responsável direto pela extorsão seria um então estagiário do próprio MP-SP. Meses antes, ele teria se infiltrado de propósito numa das promotorias de Justiça Criminal de Campinas para fins criminosos. O então estagiário teria acessado bancos de dados e sistemas de pesquisa e contado com a ajuda de outros agentes públicos — como um policial penal e um ex-policial civil, este expulso da Polícia Civil sob acusação de extorsão mediante sequestro — para identificar criminosos de alto poder econômico e extorquir dinheiro deles como contrapartida por suposta proteção. Outros dados da apuração indicam que os atos de extorsão também se valeram do uso de internet de um escritório de advocacia. Participam da ação agentes do 1º BAEP, das Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal e a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB — por conta das buscas em escritório de advocacia. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública, por meio da Corregedoria do órgão, informa que "as apurações envolvem suspeitas de colaboração com organização criminosa, extorsão, lavagem de dinheiro e eventual planejamento de atentado contra agente público". "A Corregedoria ressalta que as medidas são cumpridas em conformidade com a legislação e reafirma seu compromisso com o combate a desvios de conduta e ao crime organizado", diz o texto.
Vídeo mostra reunião entre chefe de investigadores da Polícia Civil de Campinas e acusado de planejar morte de promotor
Imagens apreendidas pelo Ministério Público de São Paulo mostram encontro ocorrido dias antes da ação que desarticulou grupo investigado por planejar assassinato













