A primeira parada para quem adoecia na região da Brasilândia e Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, não era o consultório do médico, mas a farmácia do seu Orlando.
Numa época em que o acesso a médicos era privilégio, o farmacêutico Orlando Fornazari Sobrinho se tornou indispensável. Por décadas, moradores o consideravam uma espécie de "plano de saúde" do bairro.
Era ele aquele que as mães procuravam quando os filhos tinham febre e os vizinhos buscavam ajuda na hora da dor de garganta. Vinha gente até de outras cidades.
Neto de Riccieri Fornazari, imigrante que chegou em navio da Itália, carregava consigo a história de ascensão e queda que marcou gerações de sua família. Seu avô fez fortuna em Novo Horizonte (SP), mas não soube preservá-la.
O pai de Orlando, então, precisou recomeçar em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, trabalhando nas indústrias Matarazzo. Ali, o futuro farmacêutico passou a infância, morando ao lado daquela que era uma das maiores empresas do país.








