Lorenzo Pôrto quer falar com aquela parcela do público que se sente deslocada da tradicional panelinha masculina nos intervalos de futebol. Em sua própria definição, ele quer traduzir o esporte para "mulheres e gays" que talvez conheçam mais nomes de divas pop do que de jogadores.

Por exemplo, a seleção brasileira seria a "Madonna, a maior de todas, com cinco 'albums of the year''' (ou seja, pentacampeã). Lionel Messi seria a "suprema" Beyoncé, que gabaritou todas as premiações da indústria e tem mais de 900 "hits" (gols) na carreira.E a Copa do Mundo? O "Grammy das seleções", em referência à maior cerimônia do mercado musical.

As analogias são o destaque do perfil Futebicha, onde Lorenzo fala para uma audiência de cerca de 60 mil seguidores no TikTok e Instagram —um público interessado, segundo ele, mas carente de repertório por não ter aprendido sobre o esporte dentro de casa com pais, irmãos ou amigos.

"Falta acessibilidade de conteúdo. O futebol foi historicamente inserido muito mais para homens heterossexuais do que para mulheres ou gays. A gente viu esse buraco e está tentando preencher", diz.

Ele afirma que os canais esportivos também contribuem ao parecer falar somente para os "conhecedores" e deixar de ensinar conceitos básicos. "Não ensinam formação tática, o que é um '4-2-2', um meio de campo", critica.