Manuel Adorni é investigado por compras de imóveis e viagens de luxo consideradas incompatíveis com seu salário relativamente modesto O presidente da Argentina, Javier Milei (à direita), abraça Manuel Adorni, candidato nas próximas eleições para a Assembleia Legislativa da cidade de Buenos Aires, durante o comício de encerramento da campanha eleitoral em Buenos Aires, Argentina, na quarta-feira, 14 de maio de 2025 — Foto: AP/Rodrigo Abd, Arquivo Os argentinos desaprovam de forma ampla a maneira como o presidente Javier Milei conduziu o escândalo de corrupção envolvendo seu ex-chefe de gabinete, segundo uma nova pesquisa divulgada poucos dias após a renúncia do antigo assessor. Cerca de 99% dos entrevistados disseram conhecer o caso, e mais de 80% afirmaram acreditar que Manuel Adorni provavelmente ou muito provavelmente cometeu irregularidades financeiras relacionadas ao seu patrimônio pessoal, segundo o LatAm Pulse, levantamento realizado pela AtlasIntel para a Bloomberg News e divulgado nesta sexta-feira. Pouco mais da metade afirmou que o caso teve um impacto "grave", colocando em risco a credibilidade do governo Milei, enquanto quase 20% disseram que o episódio teve um efeito "importante" sobre a imagem do presidente. Quase 70% avaliaram a resposta do Poder Executivo como "ruim" ou "muito ruim". Adorni é investigado por compras de imóveis e viagens de luxo consideradas incompatíveis com seu salário relativamente modesto. A investigação começou em março, depois que vieram à tona fotos de sua esposa, que não integra o governo, viajando para Nova York a bordo do avião presidencial. O caso se arrastou por meses, enquanto Milei defendia enfaticamente Adorni, um de seus aliados mais fiéis. Depois de negar irregularidades durante meses, Adorni afirmou que seu aparente enriquecimento decorreu de um investimento em Bitcoin feito há uma década, explicação que passou a ser questionada por especialistas em criptomoedas. O episódio decisivo ocorreu na sexta-feira passada, quando o jornal La Nación informou que ele também havia feito gastos elevados com equipamentos para videogames. Adorni renunciou no dia seguinte. A preocupação da população com corrupção afetou o apoio a Milei. Segundo a AtlasIntel, sua aprovação caiu para 39,7% em junho, ante 39,9% em maio. A desaprovação recuou marginalmente, para 58,2%, de 58,3%, mas permaneceu próxima do pico de 63% registrado em abril, quando o escândalo envolvendo Adorni ganhou força. A corrupção apareceu entre as principais preocupações de pouco menos da metade dos entrevistados. Ao mesmo tempo, a integrante mais vocal do círculo próximo de Milei a criticar Adorni saiu fortalecida da crise. A presidente do Senado, Patricia Bullrich, tornou-se a política com a imagem mais positiva da Argentina, registrando avanço de seis pontos percentuais em relação a maio, segundo a AtlasIntel. Em uma entrevista à televisão em maio, Bullrich pediu que Adorni divulgasse sua situação patrimonial. Minutos depois, em outra entrevista, Milei insistiu que seu então principal assessor era inocente. Dias antes, o presidente e todo o seu gabinete haviam acompanhado Adorni a uma audiência no Congresso em demonstração pública de apoio. A pesquisa também mostrou que Diego Santilli, experiente articulador político que substituiu Adorni na chefia de gabinete na terça-feira, tem a segunda melhor imagem pública entre os integrantes do gabinete de Milei, atrás apenas do ministro da Economia, Luis Caputo. Ainda assim, sua nomeação representou uma mudança drástica para um presidente que, no passado, apontava Santilli como símbolo de um sistema político deteriorado.
Milei é alvo de críticas na Argentina por condução da crise com ex-chefe de gabinete
Manuel Adorni é investigado por compras de imóveis e viagens de luxo consideradas incompatíveis com seu salário relativamente modesto







