Fenômeno volta a ser registrado em Niterói, atraindo curiosos. Lançamento de pedras na água para provocar o efeito luminoso danificou redes de pesca 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O pescador Gilmar observa a bioluminescência na Lagoa da Piratininga — Foto: Divulgação/Marcelo Tchebes RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 10:58 Bioluminescência na Lagoa de Piratininga encanta e preocupa pescadores O fenômeno de bioluminescência na Lagoa de Piratininga, Niterói, encantou moradores e atraiu curiosos, mas causou preocupação entre pescadores. Microrganismos que emitem luz ao serem movimentados criam um espetáculo visual, mas visitantes lançando pedras para intensificar o brilho danificaram redes de pesca. A Associação de Pescadores pede respeito ao ambiente e ao trabalho local para evitar prejuízos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O registro da bioluminescência na Lagoa de Piratininga, nesta semana, encantou moradores e tomou conta das redes sociais. O fenômeno natural, que é provocado por microrganismos que emitem luz quando a água é movimentada, atraiu curiosos ao local. A movimentação, porém, acabou provocando prejuízos a pescadores artesanais, que denunciam danos às redes de pesca após visitantes passarem a lançar pedras e entulho na lagoa para provocar o brilho. As imagens que despertaram a atenção foram registradas por frequentadores e pelo fotógrafo Marcelo Tchebes, conhecido por retratar paisagens de Niterói sob diferentes perspectivas. Ao lado pescador Gilmar, nascido e criado às margens da lagoa e integrante de uma família que há gerações vive da pesca artesanal, ele percorreu o espelho d'água à noite e presenciou o fenômeno de perto. — Foi mágico. Eu já tinha visto esse fenômeno em outros países, mas nunca imaginei encontrar algo assim tão perto de casa. A cada remada, a água ficava azul, e os peixes passavam parecendo pequenos foguetes de luz. Foi uma experiência única — conta Tchebes. Segundo o fotógrafo, o passeio ganhou contornos ainda mais especiais pela companhia de quem conhece a lagoa profundamente. — O Gilmar tratou aquilo com muita naturalidade. Para quem vive da pesca, é um fenômeno relativamente comum. O que acontece é que poucas pessoas entram na lagoa à noite para presenciar essa cena. O biólogo marinho Bruno Meurer explica que o brilho é provocado por um organismo microscópico chamado Noctiluca sp., pertencente ao grupo dos dinoflagelados. Quando a água é movimentada por ondas, correntes, embarcações ou qualquer outro atrito, esses organismos emitem uma luz azulada como mecanismo de defesa. — Esse movimento ativa uma reação química envolvendo uma molécula chamada luciferina e uma enzima chamada luciferase. A interação entre elas produz a luz que vemos. Essa espécie não apresenta toxicidade e o fenômeno depende de fatores como maré, circulação da água e disponibilidade de nutrientes — explica. Embora pareça raro para quem presencia, o fenômeno já foi observado em outros pontos do estado, inclusive em Niterói. Em junho, moradores registraram a bioluminescência no mar de São Francisco, surpreendendo remadores durante um treino antes do amanhecer. No ano passado, imagens semelhantes nas lagoas de Maricá atraíram centenas de visitantes e repercutiram nas redes sociais. Curiosidade virou problema A repercussão das imagens em Piratininga, no entanto, trouxe consequências para quem depende da lagoa para trabalhar. Presidente da Associação de Pescadores e Amigos da Lagoa de Piratininga, Luiz Mendonça conta que dezenas de pessoas passaram a arremessar pedras, galhos e até pedaços de entulho na água para provocar o efeito luminoso. — Esse fenômeno sempre acontece nessa época do ano. É muito bonito, mas o que não estava legal era o pessoal jogando pedra. Tinha gente jogando pedra grande, paralelepípedo, galho. Ali é uma área onde os pescadores trabalham muito com tarrafa para capturar camarão e peixe. Além de rasgar as redes, isso contribui para o assoreamento da lagoa — afirma. Segundo Mendonça, a associação desenvolve ações permanentes de educação ambiental e limpeza do sistema lagunar e defende que haja orientação aos visitantes sempre que o fenômeno voltar a ocorrer. — A gente quer que as pessoas apreciem esse espetáculo da natureza, mas sem jogar nada na água. Nossa luta é manter a lagoa saudável. O fenômeno é bonito, mas precisa ser observado com respeito ao meio ambiente e ao trabalho dos pescadores.