Ao menos 30 ucranianos de Kiev foram mortos no bombardeios e 92 ficaram feridos; segundo presidente Volodymyr Zelensky, mais de 100 edifícios residenciais foram danificados na capital Uma mulher observa um prédio de apartamentos em chamas após um ataque de míssil russo em Kiev, Ucrânia, na quinta-feira, 2 de julho de 2026 — Foto: AP/Danylo Antoniuk Equipes de resgate vasculhavam os escombros em busca de sobreviventes em Kiev nesta sexta-feira, enquanto a capital da Ucrânia observava um dia de luto, um dia após um ataque da Rússia com mísseis e drones matar pelo menos 30 pessoas no bombardeio mais letal contra a cidade neste ano. O ataque também deixou 92 feridos, informou o prefeito Vitali Klitschko. Os pais de um menino de 10 anos hospitalizado após o bombardeio, assim como uma adolescente de 15 anos, continuavam desaparecidos. Separadamente, um ataque de drone russo contra uma casa na região de Sumy, no norte da Ucrânia, matou quatro pessoas, entre elas uma mulher e sua filha pequena, informou a Procuradoria-Geral. Bandeiras foram hasteadas a meio mastro em toda Kiev, enquanto equipes de resgate trabalhavam pelo segundo dia consecutivo na cidade. Peritos também atuavam na identificação dos corpos recuperados. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que 10 pessoas ainda estavam desaparecidas e que as operações de resgate prosseguiam em três locais. Enquanto escavadeiras removiam os escombros, moradores procuravam pertences entre os destroços e deixavam flores em homenagem às vítimas. "Estávamos rezando para que Deus nos mantivesse a salvo", disse Zoia, uma aposentada de 65 anos cujo apartamento foi danificado no ataque. Tetiana Pryvalova, de 27 anos, outra moradora de Kiev, contou que a explosão arrancou as janelas e portas de seu apartamento. "Parte da parede foi derrubada durante o resgate de uma mulher", disse. "Já não há condições de morar no apartamento, nem no prédio, como vocês podem ver." A dimensão da destruição na capital tem poucos precedentes, mesmo em uma guerra que já entra em seu quinto ano. Segundo Zelensky, mais de 100 edifícios residenciais foram danificados. Nos últimos meses, a Ucrânia conseguiu desacelerar o avanço das tropas russas ao longo da linha de frente de 1.200 quilômetros e recuperou território em algumas áreas. "A Rússia não tem mais nenhum argumento para esta guerra além de seus mísseis balísticos", disse Zelensky em seu pronunciamento na noite de quinta-feira. "O presidente russo, Vladimir Putin, ainda pretende 'derrotar' edifícios residenciais em vez de pôr fim a esta guerra”, prosseguiu. Iryna Plekhova, 42, moradora que sobreviveu ao ataque russo com mísseis e drones de ontem, examina seus pertences pessoais restantes no apartamento incendiado, danificado durante o ataque, em meio à ofensiva da Rússia contra a Ucrânia, em Kiev , Ucrânia, 3 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Alina Smutko Nesta sexta-feira, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas tropas capturaram o vilarejo de Oleksandrivka, na região ucraniana de Dnipropetrovsk. Moscou disse que o ataque a Kiev foi uma retaliação aos ataques com drones realizados pela Ucrânia contra território russo. A Ucrânia intensificou os bombardeios de longo alcance dentro da Rússia, concentrando-se principalmente em infraestrutura energética e alvos ligados ao setor militar, embora também tenha atingido locais civis. As ofensivas contra as refinarias desencadearam uma crise de abastecimento de combustíveis na Rússia, obrigando o terceiro maior produtor mundial de petróleo a importar gasolina. A Rússia respondeu intensificando sua campanha aérea contra cidades ucranianas. No mês passado, um ataque atingiu uma catedral de Kiev com mil anos de história, considerada um marco fundamental da fé ortodoxa tanto para russos quanto para ucranianos. Os dois lados negam atingir deliberadamente civis.
Ucrânia vasculha escombros e lamenta ataque mais letal da Rússia no ano
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