Lance de Portugal x Croácia expôs como a tecnologia criou uma nova camada de estresse no futebol: a comemoração suspensa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O atacante português número 7, Cristiano Ronaldo, reage durante a partida de futebol das oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 entre Portugal e Croácia, no Estádio de Toronto, em Toronto, em 2 de julho de 2026. — Foto: Cole Burston / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 08:09 Impacto Emocional do VAR: Estresse e Desempenho na Copa do Mundo A partida entre Portugal e Croácia na Copa do Mundo ilustrou o impacto emocional e físico dos gols anulados pela tecnologia VAR. O gol croata anulado gerou uma montanha-russa emocional, destacando como a incerteza afeta jogadores. Estudos mostram que o estresse competitivo eleva o cortisol e altera o desempenho físico e mental. A regulação emocional tornou-se crucial para o desempenho, com times focando em estratégias para lidar com essas oscilações. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O gol que não valeu da Croácia contra Portugal durou poucos minutos, mas foi suficiente para produzir uma das cenas mais cruéis desta Copa do Mundo. Josko Gvardiol empurrou a bola para a rede, os croatas correram para comemorar o empate no fim da partida e, por instantes, a eliminação parecia adiada. Do outro lado, Cristiano Ronaldo, já substituído, acompanhava tudo do banco. Pouco depois, a revisão do VAR mudou a história: o sensor da bola detectou um toque quase imperceptível de Igor Matanovic, Mario Pasalic ficou em impedimento e o gol foi anulado. Em segundos, a Croácia saiu da euforia absoluta para a frustração aguda. É a montanha-russa emocional do futebol moderno: gol, comemoração, espera, revisão, silêncio e queda. Para quem está dentro de campo, essa oscilação não é apenas psicológica. Ela também tem impacto físico. Estudos sobre estresse competitivo mostram que atletas submetidos a partidas decisivas apresentam respostas fisiológicas importantes antes e durante a competição, com ativação do sistema nervoso simpático e alterações hormonais, como aumento do cortisol, hormônio associado ao estresse. Uma meta-análise publicada no European Journal of Sport Science aponta que a antecipação de uma competição já é capaz de elevar a resposta de cortisol em atletas, preparando o corpo para a exigência física e mental do jogo. Na prática, isso significa aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, liberação de adrenalina e maior tensão muscular. O corpo entra em modo de alerta, como se precisasse decidir entre lutar ou fugir. Em um jogo eliminatório, esse mecanismo pode ser útil para manter intensidade, reação e foco. Mas, quando a emoção muda abruptamente, o organismo não acompanha a virada na mesma velocidade. É aí que entra o efeito mais cruel do VAR. Antes, a sequência emocional do gol era direta: finalização, rede, comemoração, reinício. Agora, existe uma segunda partida dentro da partida. O jogador comemora sem saber se pode comemorar. A espera cria uma zona de incerteza que prolonga o estado de alerta. Um estudo qualitativo sobre o impacto do VAR no futebol apontou que jogadores e torcedores relatam sentimentos recorrentes de dúvida, esperança e suspense durante revisões em lances decisivos. No caso de Portugal x Croácia, essa incerteza ganhou um componente tecnológico ainda mais invisível. A bola Adidas Trionda, oficial da Copa de 2026, tem um sensor de movimento de 500 Hz capaz de enviar dados ao VAR em tempo real, segundo a própria Fifa. Foi esse recurso que ajudou a identificar o toque mínimo de Matanovic antes do impedimento. O impacto não termina no lance. A literatura sobre fadiga mental no futebol mostra que o desgaste cognitivo pode prejudicar tomada de decisão, execução técnica e desempenho físico em jogos reduzidos. Em outras palavras: depois de uma pancada emocional, o jogador pode errar mais, correr pior, decidir tarde ou perder a concentração justamente quando a partida exige lucidez máxima. Por isso, seleções e clubes tratam cada vez mais a regulação emocional como parte do desempenho. Respirar, reorganizar o time, receber comando rápido do capitão ou do treinador e voltar à tarefa seguinte são mecanismos tão importantes quanto um ajuste tático. Em jogos de Copa, a diferença entre sobreviver e desabar pode estar nesses segundos depois do choque. A Croácia viveu o exemplo mais extremo: comemorou a sobrevivência e, logo depois, encarou a eliminação. Portugal, por sua vez, experimentou o caminho inverso: viu a classificação escapar e retornar pela intervenção da tecnologia. Em campo, o placar foi decidido por centímetros — ou talvez por um fio de cabelo. No corpo dos jogadores, porém, a consequência foi muito maior: uma descarga emocional capaz de transformar uma partida em trauma, alívio ou combustível para o jogo seguinte.