O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (3) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas responsável por acompanhar o clima. As projeções dos principais centros meteorológicos indicam um aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano. Em algumas das áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média. Segundo a OMM, os modelos apresentam resultados semelhantes, o que aumenta a confiança de que o episódio será classificado como forte. A tendência é que o El Niño continue se intensificando ao longo do segundo semestre e atinja o pico entre novembro e fevereiro. “O El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. Ela alertou que o fenômeno eleva as chances de secas e chuvas intensas, além de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos. Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño. — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O EL NIÑO: Veja os vídeos que estão em alta no g1 A força do El Niño, contudo, depende do quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera vai responder a esse aquecimento. Para que o fenômeno ganhe intensidade, não basta o oceano ficar mais quente: é preciso que o sistema oceano-atmosfera passe a atuar de forma acoplada e persistente. Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem mudando cada vez mais o clima do planeta, que já está mais quente que no passado. Mesmo quando são considerados fracos ou moderados, esses eventos acontecem em um mundo aquecido e acabam aumentando o risco de extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Veja: 2006–2007: El Niño fraco a moderado.2009–2010: El Niño moderado.2014–2016: El Niño muito forte, ligado a recordes de calor e extremos mais frequentes.2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e com impactos mais limitados.2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, associado a novos recordes de calor. 🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta. Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global. A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado. Condições geradas por El Niño podem facilitar as queimadas e impactar produções agrícolas. — Foto: Michael Dantas/AFP via DW 🌧️ Possíveis impactos no Brasil Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa: aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;maior frequência de ondas de calor. Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão. Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta. El Niño e La Niña — Foto: Arte g1/Luisa Rivas LEIA TAMBÉM: