Modelo da BYD, montadora chinesa com melhor resultado de vendas na Europa — Foto: Reprodução As montadoras chinesas ultrapassaram as vendas de marcas japonesas no mercado europeu de carros de passeio pela primeira vez em maio, impulsionadas em parte pelo forte desempenho da BYD no exterior no primeiro semestre de 2026. A mudança aparece nos dados de vendas de carros novos de maio da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea). Em 31 dos principais países europeus, as vendas de cinco montadoras chinesas -- BYD, Saic Motor, Zhejiang Geely, Chery Automobile e a startup de veículos elétricos Zhejiang Leapmotor Technology -- aumentaram 65% em relação ao ano anterior, para 138.410 unidades. As vendas combinadas das japonesas Toyota, Honda, Nissan, Suzuki, Mazda e Mitsubishi caíram 3%, para 130.424 unidades. As montadoras chinesas venderam 6% mais veículos do que suas rivais japonesas. A Acea adicionou três montadoras chinesas ao seu monitoramento a partir de abril e alterou sua metodologia para que as vendas da sueca Volvo Cars fossem contabilizadas dentro da empresa controladora Geely. Mesmo assim, as montadoras japonesas mantiveram uma vantagem de 1% em abril, com 127.064 veículos vendidos, em comparação com 125.864 das empresas chinesas. Nos últimos dois anos, a Nissan registrou apenas dois meses com crescimento nas vendas em relação ao ano anterior, em comparação com cinco meses para a Suzuki e sete para a Mazda. Em contraste, a Saic Motor registrou crescimento nas vendas em relação ao ano anterior em 17 meses, enquanto a BYD — adicionada às estatísticas da Acea em julho de 2025 — teve 11 meses com crescimento. Os números divulgados pela BYD na quarta-feira mostram que suas vendas internacionais de veículos de passageiros, incluindo picapes, cresceram 70% em relação ao ano anterior, atingindo 789.367 unidades no período de janeiro a junho. Somente em junho, a BYD realizou 44% de suas vendas de veículos de passageiros no exterior, um aumento de 20 pontos percentuais em relação a junho de 2025. O presidente da BYD, Wang Chuanfu, afirmou na assembleia anual de acionistas da empresa, no início de junho, que "as vendas no exterior em 2026 devem atingir 1,6 milhão de veículos". Isso representaria um salto de mais de 50% em relação ao 1,04 milhão de 2025. A União Europeia considera os veículos elétricos fabricados na China injustamente baratos e uma ameaça à indústria automobilística europeia. O bloco impôs tarifas sobre esses veículos no outono de 2024, adicionando taxas de até 35,3 pontos percentuais à tarifa existente de 10%, elevando a alíquota máxima para até 45,3%. Mas as montadoras chinesas ainda mantêm uma forte vantagem de custo. O BYD Dolphin Surf Boost, um veículo elétrico compacto, tem preço inicial de 26.990 euros (US$ 30.700) na Europa, 3% mais barato que o similar Renault 5 E-Tech, segundo o Electric Vehicle Database, um site de comparação de preços de veículos elétricos. Além dos veículos elétricos, a BYD também está expandindo suas exportações de híbridos plug-in para a Europa, que não estão sujeitos às tarifas adicionais da União Europeia. Em 31 dos principais países europeus, as vendas da BYD em maio cresceram 140% em relação ao ano anterior. A BYD está se expandindo agressivamente no exterior devido à desaceleração do mercado interno chinês. As vendas de carros novos da empresa para o primeiro semestre de 2026 totalizaram 1,8 milhão de unidades, uma queda de 16% em relação ao ano anterior. Essa queda, a primeira desse tipo no primeiro semestre em seis anos, foi em parte devido à intensa concorrência de preços e à demanda fraca na China. A BYD tem se concentrado na Europa devido à retomada dos programas de subsídios para veículos elétricos naquele continente. A Alemanha, que aboliu os subsídios para veículos elétricos em dezembro de 2023, introduziu um programa em janeiro de 2026 que oferece até 6 mil euros para a compra de novos veículos elétricos e híbridos plug-in. A Suécia também retomou os subsídios para famílias de baixa renda, enquanto a Itália expandiu seus programas de apoio. As montadoras japonesas são bem conceituadas pela eficiência de combustível de seus híbridos. Mas, como oferecem uma linha limitada de veículos elétricos, não conseguem se beneficiar totalmente dos programas de incentivo nos países europeus. Beatrix Keim, do Centro de Pesquisa Automotiva da Alemanha, observa que, quando os consumidores europeus procuram comprar um veículo elétrico, os veículos japoneses sequer são considerados. O mercado europeu também está se tornando menos importante para as montadoras japonesas. A visão de longo prazo da Nissan, anunciada em abril, identificou o Japão, os Estados Unidos e a China como seus mercados prioritários, fazendo pouca menção à Europa. Para evitar as tarifas adicionais da Europa, as montadoras chinesas estão levando a sério a produção dentro da União Europeia. A Leapmotor planeja começar a montar veículos utilitários esportivos em uma fábrica da Stellantis na Espanha. Em abril, a Chery estabeleceu sua sede de operações europeias em Barcelona, na Espanha. A Nissan planeja consolidar duas linhas de produção em sua fábrica de Sunderland, no norte da Inglaterra, devido às baixas taxas de utilização. Segundo informações, as duas empresas estão em negociações para produzir veículos da Chery na linha de produção que ficaria disponível após a consolidação.
Carros chineses superam japoneses na Europa pela 1ª vez, apesar de tarifas sobre elétricos
Carros chineses superam japoneses na Europa pela 1ª vez, apesar de tarifas sobre elétricos







