Eis que ao fim "O Urso" fez perfeito uso de sua máxima, "todo segundo conta". Sem os excessos e digressões que irritaram parte dos fãs nos últimos dois anos, a quinta e última temporada retornou à essência da série para concluir com doçura e inesperado otimismo sua história sobre um restaurante, gente neurótica e propósito comum. Deixa saudade.
Foi preciso mudar um pouco o formato para resgatar a suculência do enredo. Diferentemente das temporadas anteriores, esta, no ar na Disney/Hulu desde o dia 25, tem 7 dos 8 episódios editados praticamente em tempo real. O recurso, ainda que nada original, imprime uma tensão natural às cenas sem recorrer aos gritos que marcaram tantos episódios.
E que tensão. É o dia seguinte à notícia de que o chef Carmen Berzatto (Jeremy Allen White) disse a seus colegas, a chef Sydney (Ayo Edebiri) e o maître Richie (Ebon Moss-Bachrach), que vai pendurar o avental — notícia-bomba que conclui a quarta temporada. É, também, o dia em que o Urso —o restaurante em Chicago criado pela trupe a partir da lanchonete familiar dos Berzattos— pode servir seu último jantar, falido.
Sem tempo nem insumos a esbanjar ante a tempestade medonha que castiga Chicago e prejudica as entregas de ingredientes, a equipe se desdobra para servir o máximo com o mínimo que tem em mãos. E não faltam intempéries: o encanamento estoura; os clientes atrasam e as reservas se sobrepõem; a expectativa de receber um avaliador do Guia Michelin enerva os chefs.













