Em 2022, um deprimido Carmen Berzatto herdou a lanchonete de sua família. A morte do irmão mais velho era recente e o restaurante distante dos que fizeram dele um grande chef. Com o tempo, o espaço maltrapilho virou um estabelecimento de luxo, mas o personagem de Jeremy Allen White continuou o mesmo.

Ao menos é o que diz quem se frustrou com "O Urso", que chega nesta quinta-feira (25) à última temporada. Antes queridinha das premiações, a série eletrizou o público ao juntar humor e drama em episódios frenéticos. Nos primeiros anos, cozinheiros improváveis fervilhavam como panelas de pressão, divididos entre a rigidez do protagonista e brigas ridículas.

A receita lançou novos astros, desafiou padrões com capítulos de durações variadas —entre os favoritos estão um ataque de ansiedade de 20 minutos, sem cortes, e um flashback de uma hora sobre um Natal amargo— e quebrou recordes, em edições consecutivas, ao conquistar diversos prêmios Emmy numa mesma cerimônia.

Hoje, às vésperas de concluir a trajetória da equipe que tenta conquistar uma estrela Michelin para manter o restaurante de pé, "O Urso" dá sinais de ter passado do ponto. Muitos espectadores torceram o nariz para a terceira e a quarta temporadas, acusadas de trocar a tensão que rendeu prêmios de direção e roteiro por episódios contemplativos. Seja em Chicago ou em viagens ao redor do mundo —caso de "Amanhã", do terceiro ano, um poema visual sobre a trajetória do protagonista, Carmen—, o seriado abraçou experimentos dramáticos.