A campanha presidencial começa só em agosto, com o registro das candidaturas na Justiça e o início da propaganda eleitoral, mas a pré-campanha entra em nova fase. De 4 de julho em diante, exatos três meses antes de os brasileiros irem às urnas, os postulantes à reeleição ficam proibidos de inaugurar obras, contratar servidores ou fazer publicidade dos atos de gestão. Daí o presidente Lula ter se empenhado nos últimos dias nos derradeiros anúncios de novas medidas do governo. Agora, terá de combinar o expediente burocrático no Palácio do Planalto com atividades político-partidárias fora da agenda oficial, em particular à noite e nos fins de semana. Com palanques definidos em 24 estados, o petista dedicará parte do tempo a reuniões com candidatos a governador e senador que o apoiam e a gravar vídeos para eles, entre outras.

O que a máquina de publicidade governamental podia fazer pelo ibope de Lula está feito e se o resultado de hoje não é o dos melhores para quem tentará renovar o mandato, está um pouco melhor do que se via há dois ou três meses, tempos de angústia no petismo e sua militância diante das pesquisas. Para sorte do presidente, o principal rival, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, vive uma maré de más notícias iniciada com a revelação da intimidade financeira com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do finado Banco Master, engrossada pelo “tarifaço 2” de Donald Trump e, mais recentemente, pela briga em praça pública, ou melhor, em ágora digital com a madrasta Michelle.