Ao acelerar gastos, governo se torna responsável pelo patamar sufocante dos juros, que incentiva inadimplência 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em lançamento de nova versão do Desenrola — Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo/29/06/2026 A menos de uma semana do início do período de silêncio imposto pelo calendário eleitoral — em que o presidente fica impedido de comparecer a inaugurações ou eventos, e a publicidade institucional é suspensa —, Luiz Inácio Lula da Silva pisou no acelerador das “bondades” eleitoreiras e tem gastado em propaganda como se não houvesse amanhã. Depois da isenção do Imposto de Renda, do fim da “taxa das blusinhas”, do crédito barato para caminhoneiros, motoristas de aplicativo e táxi, da extensão do Minha Casa, Minha Vida à classe média, de benesses a setores variados — de companhias aéreas a agricultores — e do alívio a dívidas de famílias e pequenas empresas, o frenesi eleitoreiro continuou nesta semana com benefícios a quem paga dívidas em dia, crédito estudantil subsidiado e liberação do FGTS como garantia para quem toma empréstimos consignados. O custo total das “bondades” de Lula passa de R$ 200 bilhões, mas custo é uma palavra que não aparece na campanha maciça de publicidade do governo em busca da reeleição. Nos seis meses que antecedem o silêncio obrigatório pela lei eleitoral, o governo despejou R$ 520 milhões em propaganda, o dobro do valor registrado no mesmo período durante a Presidência de Jair Bolsonaro (R$ 213,5 milhões). Além da omissão contumaz da palavra custo, o governo tem se esquecido de informar ao eleitor que menos de 5% dos gastos eleitoreiros estão sujeitos às regras fiscais — e que, portanto, contribuirão de modo inexorável para aumentar a já colossal dívida pública. Para esconder o custo real das “bondades” eleitoreiras, a equipe econômica tem lançado mão de toda sorte de prestidigitação contábil. Na versão mais recente do Desenrola, voltado a trabalhadores informais com dívida de até R$ 15 mil cujas prestações têm sido pagas em dia, e no crédito subsidiado a egressos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), a garantia é o Fundo Garantidor de Operações (FGO). O FGO contou recentemente com o reforço do dinheiro esquecido por correntistas nos bancos ao longo de anos. A lei exigia que tais recursos fossem para o caixa do Tesouro, onde estariam sujeitos ao teto de gastos. Em vez disso, foram para o FGO, de onde podem alimentar “bondades”. Em vez de ser usado para aliviar as dívidas do governo, o dinheiro distribuído agravará a crise fiscal. No atual momento, lançar novas linhas de crédito subsidiado é um contrassenso. A taxa de juros continua alta. E por que o Banco Central precisa manter o crédito caro? Porque o próprio governo não para de acelerar a economia distribuindo dinheiro a rodo em busca de votos, alimentando o risco de inflação, e porque, quando vai ao mercado tomar dinheiro emprestado para pagar suas próprias dívidas, se vê obrigado a pagar caro a credores mais desconfiados do risco de calote. Com responsabilidade incontestável pelos patamares sufocantes dos juros, Lula incentiva novas ondas de inadimplência, agravando a causa do problema que finge resolver — tenta apagar o incêndio com álcool como se fosse água. Vale tudo em nome da reeleição.