Os encontros ocorrerão em 14 e 16 de julho, com objetivo de discutir levantamentos de intenção de voto e combate às fake news Ministro Kassio Nunes Marques em sessão de julgamento do TSE — Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE O ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcou reuniões com institutos de pesquisa e com big techs para discutir levantamentos de intenção de voto e combate às fake news. Os encontros ocorrerão em 14 e 16 de julho. A reunião com representantes de institutos de pesquisa foi definido após Nunes Marques suspender a divulgação de um levantamento da AtlasIntel feito em maio. A pesquisa apontava queda na intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, após revelações de que ele pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do extinto Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A liminar foi submetida a referendo do plenário do TSE, mas paralisada por um pedido de vista (mais tempo para decidir). Como mostrou o Valor em 10 de junho, em vez de discutir apenas a pesquisa da AtlasIntel, Nunes Marques busca agora ampliar o debate e tratar da possível restrição a mídias, como áudios e vídeos, em sondagens eleitorais. Nunes Marques entendeu que o instituto pode ter induzido respostas negativas com relação ao pré-candidato por ter exibido o áudio da mensagem entre Flávio e Vorcaro no curso da pesquisa (realizada por meio de questionário online). A AtlasIntel nega e diz que o uso de recursos audiovisuais é normal. Segundo ministros do TSE, em vez de analisar somente a liminar, a corte deve agora se debruçar sobre se é válida a utilização de mídias em pesquisas de intenção de voto. A previsão é que o julgamento volte em agosto, depois do recesso de julho. Relembre Em 9 de junho, o TSE chegou a começar a analisar a liminar de Nunes Marques, mas a ministra Estela Aranha pediu vista. Dias Toffoli tratou da utilização das mídias em um aparte. “Pode fazer vídeo? A gente sabe o que vai acontecer, vai ter vídeo para tudo que é lado, e pesquisa que mostra aquele vídeo e depois faz a pergunta. Diante desse vídeo, você votaria em A, B ou C? Vai ter vídeo até citando juízes. Não vamos ser ingênuos”, afirmou. De acordo com ele, a pesquisa AtlasIntel já circulou. Assim, o TSE deve se concentrar agora em tratar do “futuro”. “Vamos decidir o futuro. Pesquisa pode tudo ou não pode nada. Ou pode perguntas claras e objetivas, sem induzimento. E qual seria esse limite do que é induzimento.” Segundo apurou o Valor, além de Nunes Marques e Toffoli, outros ministros do TSE têm preocupações semelhantes. Com isso, a corte pode acabar optando por restringir a exibição de áudios e vídeos em pesquisas. Alguns deles, no entanto, dizem que preferem ouvir os institutos de pesquisa antes de definir como votarão. A interlocutores, Nunes Marques sustentou que devem ser fixadas balizas para a atuação dos institutos de pesquisa. O objetivo seria evitar que levantamentos sejam utilizados para “desequilibrar” a disputa eleitoral. Reunião com big techs Já no encontro previsto para 16 de julho, com representantes das principais plataformas digitais, o objetivo é tentar um acordo para combater o uso irregular de novas tecnologias e a disseminação de notícias falsas. A ministra Estela Aranha foi convidada por Nunes Marques para participar. Ela era secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça antes de assumir uma cadeira no TSE. O presidente da corte busca manter a aproximação com plataformas que foi iniciada nas eleições passadas. O objetivo é garantir a retirada rápida de conteúdos criminosos e a identificação de eventuais publicações irregulares. No encontro, devem ser apresentados termos de conformidade, com o que cada plataforma se compromete para ajudar a diminuir notícias falsas, deep fakes e a retirada de conteúdos potencialmente criminosos.