Quando os tubarões azuis entrarem em campo contra Messi e seus hermanos, torcerei como a maioria dos brasileiros, unidos em querer ver um time africano ganhar de qualquer europeu ou descendente. Mas com uma diferença: agora conheço na pele a triste e dura realidade do país, com suas oportunidades minguadas, após passar uma semana em Praia, a capital, na ilha de Santiago, dando aulas para aspirantes a pós-graduação em Portugal.

Minha mãe tenta contemporizar e pede que eu assista ao documentário "Mindelo Linda" antes de escrever esta coluna com minhas impressões pessimistas do país. Mas das belezas naturais e do povo sorridente apesar dos pesares e hospitaleiro com os estrangeiros eu já sei –quer dizer, desde que os estrangeiros não sejam os vizinhos continentais senegaleses, em condições ainda piores, em busca de oportunidades já escassas de trabalho.

O problema é que Cabo Verde tem escassez brutal de oportunidades à vida humana. A palavra está fresca e viva na minha mente enquanto dou aulas sobre o que é a vida (complexidade auto-organizada às custas de energia e matéria transferidas no metabolismo), comportamento (qualquer ação observável), sistema nervoso (um sistema de distribuição de sinais elétricos) e como a combinação de permitências e oportunidades levou à formação de cérebros cheios de neurônios.