Até recentemente, a vida de Michel Bla, 52, apresentava uma história clássica de ascensão social em uma das economias de crescimento mais acelerado do mundo. Sua plantação na Costa do Marfim estava produzindo volumes cada vez maiores de cacau, permitindo que ele lucrasse com a demanda global por chocolate. Seu filho mais velho estava cursando universidade, mirando o conforto de uma carreira no serviço público.

Em sua casa nos arredores de Divo, uma cidade no sul do país, Bla esperava perfurar um poço para substituir a dependência de sua família de um rio lamacento para água potável. Ele estava economizando para comprar painéis solares que alimentariam ventiladores e trariam alívio para noites inquietas no calor tropical.

Mas no ano passado, o preço do cacau começou a despencar mundialmente. Este ano trouxe outro choque quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irã. O fechamento efetivo do estreito de Hormuz elevou os preços de fertilizantes, pesticidas e alimentos, além da energia.

Para Bla, a guerra significou custos disparando justamente quando suas receitas caíram, tornando impossível para ele comprar fertilizante. Seus cacaueiros estão murchando. A família ainda busca baldes de água do rio. Ele relutantemente tirou seu filho da universidade.