De acordo com investigadores da 12ª DP (Copacabana) suspeito repetia a história de uma fortuna bloqueada em Dubai. Em apenas um dos golpes o prejuízo da vítima chegou a mais de R$ 1,5 milhão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O argentino David Juan Manuel Corbalan foi por estelionato ao aplicar o chamado 'golpe do amor' — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 22:50 Argentino preso no Rio aplicava "golpe do amor" e lesou vítimas em milhões David Juan Manuel Corbalan, argentino preso no Rio, é acusado de aplicar o "golpe do amor", enganando mulheres com histórias fictícias sobre ser herdeiro milionário e chef renomado. Alegando precisar de dinheiro para desbloquear herança em Dubai, ele convenceu vítimas a transferirem valores significativos. Uma das vítimas perdeu R$ 1,5 milhão. O caso é investigado pela 12ª DP de Copacabana. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Preso por estelionato a partir de investigação conduzida pela 12ª DP (Copacabana) o argentino David Juan Manuel Corbalan era capaz de inventar as histórias mais mirabolantes para conquistar e envolver suas vítimas para aplicar o chamado "golpe do amor". Segundo o depoimento de uma das mulheres enganadas por ele, David Juan recorria a uma sequência de histórias grandiosas, misturando supostos vínculos com a realeza, riqueza, prestígio profissional e uma vida marcada por perseguições internacionais, criando uma narrativa capaz de despertar admiração e compaixão ao mesmo tempo. A uma delas ele contou ser árabe e se apresentou como chef de cozinha internacional dono de estrelas Michelin inclusive. E não parava por aí. O enredo era intrincado e incluía a história de sua família seria dona de quatro poços de petróleo em Dubai, seus pais haviam morrido em um acidente aéreo criminoso deixando uma herança milionária e que, por conta disso, ele estaria sendo perseguido. O golpista disse ainda que havia sido convidado para uma entrevista em um programa de TV para divulgar um livro de culinária. Era a senha para seguir com o golpe. Para se apresentar bem na telinha ele precisava cortar o cabelo, fazer a barba e comprar roupas. Mas estava sem dinheiro porque fora roubado. Foi com esse argumento mentiroso que convenceu a vítima a lhe entregar R$ 1.500. A mulher começou a desconfiar do golpista quando ele se convidou para ir à casa dela por meio de mensagens. A visita foi combinada. Era um domingo. Ele chegou e começou a observar todo o entorno com muita atenção o que a princípio a incomodou. Ao perguntar porque tanto interesse ele disse que estava vendo: onde colocaria piscina. Na sequência, mas um sinal de que havia algo errado. O argentino pediu para fazer o almoço, mas em vez da habilidade como chef que dizia ser demonstrou desconhecimento básico da culinária, quebrou utensílios e deixou a cozinha suja ao final. — Ele se dizendo herdeiro milionário, estaria com os bens bloqueados no mundo árabe, e que seria um chefe de cozinha internacional, que os pais dele teriam morrido num acidente aéreo forjado, que ele estaria com os bens bloqueados lá, estaria fugindo porque a haveriam aí uma briga de herança e a partir desse pano de fundo dessa história, ele ele ganhava a credibilidade das mulheres e ele começava a solicitar valores — disse o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP. Além dos R$ 1.500 para a suposta participação no programa de televisão, a vítima afirma ter feito outros repasses para despesas como alimentação, transporte e aluguel de uma caminhonete para uma viagem que nunca aconteceu, até que ele desapareceu e bloqueou todos os contatos. A outra vítima, ele afirmou estar escrevendo um livro de culinária e a convenceu de que precisava de um computador para concluir o trabalho. Com esse argumento, ela comprou um notebook e entregou o equipamento ao suposto escritor e chef. As histórias de sucesso profissional vinham acompanhadas de promessas. David dizia ter contatos privilegiados na Apple e que conseguiria trazer diretamente da fábrica, nos Estados Unidos, um iPhone 11 por um preço vantajoso. A promessa convenceu não apenas a vítima, mas também sua irmã. Juntas, elas entregaram R$ 1.500, valor que nunca foi revertido na entrega do aparelho. O relacionamento terminou de forma abrupta. Depois de passar a noite na casa da vítima, em agosto de 2020, o suspeito desapareceu, bloqueando todos os contatos em aplicativos e redes sociais. Os depoimentos reunidos pela polícia mostram que o argentino repetia praticamente o mesmo roteiro para conquistar as vítimas. Conforme o relatório, ele se apresentava com identidade falsa, usando o nome Manuel David Yuset ou Brayn Yuset, dizia ser descendente de árabes e afirmava possuir uma fortuna milionária bloqueada em Dubai. Para recuperar o patrimônio, alegava precisar de dinheiro para pagar advogados e resolver pendências judiciais no exterior. No caso que motivou a prisão do argentino, a principal vítima realizou, segundo a investigação, 269 transferências bancárias entre 2023 e 2024 — muitas delas feitas para a conta da outra companheira do investigado, que afirma também ser vítima — acreditando estar ajudando o companheiro a desbloquear seus bens no exterior. O prejuízo estimado é de R$ 1,5 milhão. Ainda de acordo com o relatório, enquanto a servidora pública aposentada estava internada para uma cirurgia cardíaca, Corbalan aproveitou a confiança conquistada ao longo do relacionamento para entrar no apartamento dela e furtar joias, eletrônicos, notebook, documentos, roupas, perfumes e outros objetos. Funcionários do condomínio afirmaram à polícia que o viram deixando o prédio com uma televisão da vítima. As diligências também apontam que o argentino utiliza o mesmo modo de agir há pelo menos uma década. O relatório cita registros de ocorrências semelhantes desde 2015 no Rio de Janeiro e em outros estados. Para a Polícia Civil, trata-se de um caso de "estelionato amoroso", em que o investigado se aproveitava dos vínculos afetivos para induzir as vítimas a entregar dinheiro e bens voluntariamente. O suspeito foi localizado, nesta terça, no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio. A Polícia Civil investiga se há outras vítimas do mesmo esquema.