Com o petróleo tipo Brent abaixo de US$ 75, os mercados globais e domésticos estão mais calmos do que há duas ou três semanas. A curva de juros brasileira baixou, embora ainda esteja nos níveis extremamente altos que caracterizam a economia nacional. O Índice Ibovespa parece estabilizado em torno de 170 mil pontos, e o dólar roda a uns dez dias no intervalo entre US$ 5,15 e US$ 5,20.PUBLICIDADESegundo um experiente gestor, a queda do petróleo e a redução da volatilidade do preço da commodity deram uma acalmada nas expectativas de inflação globais, tirando a urgência dos bancos centrais de elevarem mais fortemente as taxas de juros. Isso, por sua vez, é positivo para ativos de risco, como os brasileiros.O estreito de Ormuz já está reaberto o suficiente para que haja um fluxo de oferta de petróleo que alimenta o mercado global e joga o preço para baixo.Num momento inicial, um grande número de petroleiros que estavam parados no Golfo Pérsico transita pelo estreito, jogando um volume muito grande de petróleo no mercado. Um pouco mais à frente, esse fluxo deve se normalizar e os países que usaram suas reservas estratégicas durante essa crise do petróleo vão tentar repreenchê-las, aumentando a demanda da commodity.Assim, na visão do gestor, é possível que o preço do petróleo se estabilize num nível superior ao atual, e é esse preço que será importante para a inflação e deve ter especial atenção dos bancos centrais.PublicidadeJá em termos de fatores domésticos, o momento de maior estresse entre o comunicado e a ata da última reunião do Copom (ambos mal digeridos pelo mercado) se dissipou parcialmente.Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, assinala que, depois de toda a tempestade de críticas ao BC em relação ao comunicado e à ata da última reunião, o mercado acabou considerando que, dado que a autoridade monetária jogou mais peso para a inflação de 2028, há um pouco mais espaço para cortar o juro básico do que se imaginava.Adicionalmente, os últimos dados do mercado de trabalho vieram um pouco pior do que o esperado, sobretudo a criação de vagas no Caged. Ainda não é uma confirmação segura de que há uma desaceleração firme, mas ainda assim é mais um elemento que ajuda no corte de juros, na visão de Sobral.Além disso, na visão do gestor mencionado inicialmente nesta coluna, em termos eleitorais o mercado parece ter se adaptado ao favoritismo de Lula, mas sem que Flávio Bolsonaro, o preferido, tenha perdido as chances de sair vencedor. Apesar do estrago na imagem do candidato de oposição pela revelação da sua estreita ligação pessoal e financeira com Daniel Vorcaro, a distância entre ele e Lula nas simulações de segundo turno, na maior parte das pesquisas recentes, permanece em torno de seis pontos porcentuais.Há rumores de que novas revelações e vídeos comprometedores para Flávio virão à luz, mas até agora nada de concreto apareceu.Publicidade"É até surpreendente como a candidatura de Flávio se mostra resiliente", comenta o gestor, que espera uma eleição apertada, ainda que com leve favoritismo de Lula.PUBLICIDADEEsse profissional do mercado aponta que o nível de preço dos ativos brasileiros mudou desde o "Dark Horse day", em 13 de maio - quando o site jornalístico The Intercept Brasil iniciou a divulgação de áudios e mensagens entre Flávio e Vorcaro sobre tratativas definanciamento deste último ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, num total de R$ 134 milhões.O gestor aponta que, logo antes de 13 de maio, o dólar estava em torno de R$ 4,9 e o Ibovespa em cerca de 180 mil pontos (pouco antes foi negociado em torno da faixa 185-195 mil durante algumas semanas). Agora, o dólar está em R$ 5,2 e o Ibovespa próximo a 170 mil pontos.Já a curva de juros, embora tenha voltado do momento de maior estresse, quando tangenciou 15% em alguns vencimentos, ainda está praticamente inteira acima de 14%.Segundo o gestor, "se daqui até a eleição a candidatura de Flávio sofrer de fato uma forte deterioração, os mercados vão pedir mais prêmio".PublicidadeFernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 1/7/2026, quarta-feira.
Opinião | Mercado fica mais calmo com queda do petróleo
Recuo do barril segura alta das expectativas de inflação globais, tirando a urgência dos bancos centrais de elevarem mais fortemente as taxas de juros.






