A família imperial do Japão se vê diante de uma encruzilhada: consciente da atual escassez de herdeiros masculinos –os únicos legalmente aptos a ocupar o trono– ela encolhe cada vez mais diante da exclusão automática de princesas da realeza após se casarem. A situação representa um desafio para uma instituição milenar, vista como elemento de coesão nacional, e preocupa políticos há mais de duas décadas.
Agora, sete partidos, incluindo oposição e governistas, chegaram a um consenso e apresentaram um projeto de mudança na Lei da Casa Imperial, com o objetivo de assegurar um número suficiente de membros na família real. O governo de Sanae Takaichi pretende encaminhar a proposta ao Parlamento em breve para garantir sua aprovação ainda na atual legislatura.
O projeto prevê a inclusão na família imperial de homens adotados, a partir de 15 anos, que sejam descendentes da linhagem paterna de antigas famílias aristocráticas. No Japão, a adoção tradicionalmente assegura a sucessão masculina. Tal solução seria uma vitória para os conservadores, que querem evitar a todo custo uma mulher no Trono do Crisântemo.
A segunda alteração na lei também vai nessa direção. Ela permite que mulheres da família permaneçam na casa imperial após o casamento, caso assim o desejem. Atualmente, princesas perdem o título ao se casar. Dessa forma, a família imperial poderia cumprir mais facilmente suas funções representativas, como as diversas patronagens de organizações de caridade e outras instituições.











