PUBLICIDADE Manifestação por escrito para tentar derrubar tarifas de importação de 25% deverá ser enviada pelo Itamaraty 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. — Foto: Ricardo Stuckert / PR RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 20:50 Brasil tem até quarta para conter tarifa dos EUA sobre exportações O governo brasileiro tem até esta quarta-feira para contestar a investigação dos EUA que pode impor tarifas de importação de 25% sobre produtos brasileiros, devido a alegações de práticas desleais. Além disso, uma tarifa adicional de 12,5% é proposta por trabalho forçado, podendo elevar o total a 37,5%. O Itamaraty deve enviar uma manifestação escrita para tentar evitar o tarifaço, que afeta a relação bilateral. Flávio Bolsonaro planeja participar de audiência pública sobre o tema. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil tem até esta quarta-feira para enviar comentários por escrito ao governo dos Estados Unidos sobre a investigação comercial que pode acarretar na aplicação de tarifas de importação de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Em conclusão preliminar, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) acusou o país de promover práticas desleais em seis setores que prejudicam as empresas e o comércio americano. São exemplos o Pix, o desmatamento ilegal, falhas no combate à corrupção e taxas relacionadas à importação de etanol. Além da taxa de 25% referente à apuração sobre "práticas desleais" brasileiras, o USTR também sugeriu a adoção de uma tarifa adicional de 12,5% sobre parte dos produtos do país em decorrência de uma investigação relativa à importação de produtos fabricados com trabalho forçado, que atinge outros 59 países. Assim, o tarifaço sobre uma parcela das mercadorias brasileiras vendidas aos EUA pode chegar a 37,5%. Além de empresas, associações comerciais e acadêmicos, o governo brasileiro deve contestar as conclusões da investigação comercial por meio de uma manifestação por escrito que será enviada pelo Itamaraty, como já foi feito antes do USTR recomendar a adoção de tarifas. O Palácio do Planalto considera a medida absurda, especialmente porque os EUA têm superávit comercial com o Brasil, e vem tentando negociar com Washington para que o tarifaço não seja aplicado, mas, até o momento, não houve grandes progressos. Após as manifestações, está prevista a realização da audiência pública oficial pelo USTR para debater as ações propostas, no dia 6 de julho. A investigação foi aberta pelo USTR em 15 de julho do ano passado e o governo Trump tem até 15 de julho deste ano para definir se irá aplicar as sanções recomendadas pelo escritório de representação comercial. No dia em que veio a público a conclusão preliminar, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que apresentou "farta documentação" que comprova que a política comercial brasileira "não discrimina, não prejudica o comércio dos EUA e nem viola normas internacionais vigentes". (Leia abaixo) A conclusão preliminar ainda contrariou o acordo firmado na reunião entre Lula e Trump na Casa Branca de discutir durante um mês, em um grupo de trabalho, as divergências sobre as relações comerciais entre os dois países. O resultado das investigações comerciais representam uma piora da relação bilateral dos dois países, que vinha progredindo desde o primeiro tarifaço, anunciado em julho do ano passado. --- Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil, ele sabe disso. É por isso que eu disse que ele ainda continua agindo como imperador. Nós estávamos fazendo acordo. O Mauro Vieira e o meu ministro do Comércio estão tratando com o ministro do Comércio dele. Nós estamos negociando --- disse Lula em declaração à imprensa após o encerramento da cúpula do G7, na França. Além da ameaça de novas taxas, os EUA decidiram classificar o Comando Vermelho e o PCC como terroristas. O governo brasileiro tem associado à nova deterioração na relação aos movimentos da família Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), concorrente de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto nas eleições deste ano, se encontrou com Trump no final de maio e pediu, segundo ele, o enquadramento das facções criminosas como terroristas. Pesquisas também apontam que a população associa as medidas de Trump contra o Brasil à família Bolsonaro. Flávio se inscreveu para participar da audiência pública sobre a investigação de "práticas desleais" e, segundo aliados, vai pedir para que o tarifaço não vá adiante. Os representantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, não irão participar, apenas a Embaixada do Brasil em Washington vai acompanhar. No entendimento do governo, esse espaço é reservado para empresas e para a sociedade civil. Após o anúncio da participação de Flávio, o Itamaraty publicou nas redes sociais que "os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história". "O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira. As audiências públicas da Seção 301 nos Estados Unidos são espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil. Outros importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos, como China e União Europeia, tampouco enviam representantes às audiências públicas. O governo brasileiro tem participado ativamente nessa investigação pelos canais diretos de interlocução entre governos, desde sua abertura em 15 de julho de 2025", disse o Itamaraty.
Tarifaço: prazo para governo Lula contestar os EUA sobre investigação de práticas desleais termina nesta quarta
Manifestação por escrito para tentar derrubar tarifas de importação de 25% deverá ser enviada pelo Itamaraty
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