Pimentel ingressou na corporação em 2009 e chegou à Rota, batalhão com o maior número de mortes em confronto da PM paulista, em 2019 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ronickson Pimentel dos Santos — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 15:43 Tenente baleado em São Caetano: Justiça busca envolvidos em atentado O tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota, foi baleado na cabeça em São Caetano do Sul e está em estado grave. Ele é investigado em três inquéritos por mortes em ações policiais. A Justiça determinou a prisão de dois suspeitos de apoio logístico ao atentado. Pimentel é irmão de Eloá Pimentel, vítima de um sequestro em 2008. Investigações continuam para identificar os responsáveis pelos disparos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Baleado na cabeça na tarde do último sábado (27), em São Caetano do Sul, o tenente Ronickson Pimentel dos Santos é alvo de pelo menos três inquéritos abertos por mortes decorrentes de intervenção policial ocorridas durante ações da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da Polícia Militar paulista da qual ele faz parte. Até o momento, não há nenhuma informação sobre a ligação entre o atentado contra Pimentel e essas ocorrências. O inquérito mais recente foi aberto em janeiro deste ano. Segundo o Boletim de Ocorrência, uma equipe da Rota comandada por Pimentel averiguava uma denúncia anônima de tráfico de drogas em Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana de São Paulo, em 7 de janeiro de 2026, quando prendeu Gilberto Salles de Almeida Araujo. No quarto de Araújo, teriam sido encontrados cocaína, coletes balísticos e duas armas de fogo. Ao ser questionado sobre um segundo endereço, Araújo teria informado que havia alugado um imóvel para João Francisco Silva de Sousa. Os policiais foram até o local, onde teriam encontrado maconha e uma máquina seladora para embalar drogas. Araújo teria indicado então um terceiro endereço, em Suzano, também na Grande São Paulo, onde Sousa estaria. Ainda segundo o registro, os policiais foram até Suzano, onde Sousa os teria recebido a tiros. Durante o revide, Sousa foi atingido por Pimentel e um colega, e morreu no local. Uma pistola 9mm sem numeração teria sido apreendida com ele, além de 166 tijolos de maconha encontrados na residência. Em seu depoimento à polícia, Pimentel confirmou a ação originada pela denúncia anônima e a indicação do paradeiro de Sousa pelo comparsa. Segundo ele, os disparos que realizou na direção do suspeito foram em legítima defesa. Meses antes, Pimentel esteve envolvido em outra ocorrência com morte. Em 27 de junho de 2025, em Santo André, policiais da Rota liderados por Pimentel foram informados por um motoqueiro sobre um roubo em andamento de um Fiat Toro. Ao chegarem ao local, os policiais viram um dos criminosos atirar contra a janela de um morador e, em seguida, disparar contra a viatura policial, atingindo a porta dianteira direita. Segundo documentos, houve confronto entre os supostos assaltantes e os policiais. O suspeito Weslley da Silva Facundo foi baleado e morreu no local. Com ele, foi apreendido um revólver .38 com numeração raspada. Outros dois comparsas foram presos. Pimentel relatou à polícia, durante a investigação, que agiu em legítima defesa e confirmou ter efetuado aproximadamente nove disparos contra a vítima, com um fuzil. Ainda segundo a versão do tenente, toda a equipe disparou simultaneamente e, por isso, não foi possível precisar de qual arma partiu o tiro fatal. A terceira ação com vítima envolvendo Pimentel foi em 17 de novembro de 2024, durante uma incursão da Rota na comunidade Alba, no Jabaquara, na região Sul de São Paulo. Segundo o BO, equipes da Rota teriam sido recebidas a tiros por indivíduos que fugiram pelas vielas durante a ação policial. Durante a averiguação de uma casa, os policiais teriam se deparado com Romário Santos Alves armado, que efetuou disparos contra a equipe. Os policiais revidaram, e conseguiram desarmar o suspeito, que acabou baleado. Com ele, teriam sido apreendidos um revólver calibre .38 com três munições deflagradas e três intactas. Alves foi socorrido, mas morreu no hospital. Segundo Pimentel contou à polícia, o confronto ocorreu enquanto sua equipe vistoriava a área após policiais terem sido baleados naquele mesmo dia. Segundo ele, durante a tentativa de fuga Alves teria atirado contra os policiais, que revidaram. Pimentel admitiu ter efetuado dois disparos de sua pistola Glock .40. Pimentel ingressou na corporação em 2009 e chegou à Rota, batalhão com o maior número de mortes em confronto da PM paulista, em 2019. O GLOBO procurou a comunicação da PM, a Corregedoria e a Ouvidoria do Estado, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. Entenda o caso O atentado é apurado como tentativa de homicídio qualificado. Pimentel permanece internado na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, em estado gravíssimo, mas estável após cirurgia de emergência realizada no mesmo dia, conforme o governo de São Paulo. Ele é irmão de Eloá Pimentel, assassinada em 2008. A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de dois suspeitos de terem dado suporte logístico à ação. Localizados pela Polícia Militar neste domingo, em Guaianases, na capital, os dois homens — de 40 e 52 anos — foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), onde prestaram depoimento à Polícia Civil. A audiência de custódia está prevista para esta segunda-feira. Câmeras de segurança registraram um Renault Logan branco acompanhando a motocicleta usada no crime antes e depois dos disparos. O veículo passou a circular ao lado de um Fiat Palio e de um Chevrolet Astra, dirigidos pelos dois investigados — deslocamento que as autoridades classificam como coordenado. Na decisão que autorizou as detenções, o juiz da Vara do Plantão da Comarca de Santo André afastou a hipótese de encontro casual entre os ocupantes dos três carros, concluindo que as imagens indicam uma ação planejada e conjunta. "As investigações prosseguem para esclarecer a participação de todos os envolvidos e identificar os autores dos disparos", informou o governo paulista. Relembre o caso Eloá A adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, fazia um trabalho escolar com três colegas na sua casa, em Santo André, na Grande São Paulo, quando o seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, entrou no apartamento com um revólver de calibre 32. Ele agrediu com socos os meninos Iago Vieira e Victor Lopes e espancou Eloá com chutes e tapas. A partir de então, dizendo que "não tinha mais o que perder", proibiu todos de saírem. Começava, na tarde daquela segunda-feira, 13 de outubro de 2008, um cativeiro de cerca de cem horas, que atrairia a atenção do país e terminaria com uma tragédia, após uma atuação criticada da polícia no desfecho e ao longo do caso. Conforme a investigação policial sobre o caso, Eloá e Lindemberg haviam namorado por dois anos e sete meses, até a menina terminar o relacionamento por não mais tolerar o ciúme doentio e a personalidade agressiva do rapaz. Lindemberg, porém, não aceitou a decisão da adolescente e passou a persegui-la, chegando a agredir a menina fisicamente. Segundo o promotor público Antonio Nobre Folgado, responsável pela acusação, ao não conseguir reatar com Eloá, o jovem passou a fazer planos de matá-la, por não admitir que a adolescente vivesse sem ele. Um caso clássico de crime de gênero, nove anos antes da inclusão da tipificação de feminicídio no Código Penal. O sequestro terminou de forma trágica, na sexta-feira, 17 de outubro, em movimento considerado um erro da polícia. Por volta das 18h, depois de mais de cem horas de cativeiro, agentes do Gate e da Tropa de Choque da PM explodiram a porta do apartamento e invadiram. Mais tarde, os responsáveis diriam que a atitude foi motivada pelo som de um disparo que teria vindo da residência, algo negado por testemunhas. Antes que fosse imobilizado, Lindemberg atirou nas reféns. Eloá foi baleada na virilha e na cabeça. Ela foi levada a um hospital em estado grave e morreu no dia seguinte. Nayara foi alvejada no rosto. Ela deixou o local do crime andando, foi operada e se recuperou do ferimento. Em fevereiro de 2012, Lindemberg foi julgado, considerado culpado por 12 crimes e condenado a 98 anos e 10 meses de prisão. Sua sentença foi transmitida ao vivo por diversas emissoras. Em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 39 anos e três meses de prisão.
Tenente baleado da Rota é investigado em pelo menos três inquéritos por mortes em ações policiais
Pimentel ingressou na corporação em 2009 e chegou à Rota, batalhão com o maior número de mortes em confronto da PM paulista, em 2019












