Segundo agência das Nações Unidas, sistemas de abastecimento de alimentos e de transporte provavelmente levarão mais tempo do que os mercados de energia para se recuperar Um navio porta-contentores (à direita) e um navio cargueiro são vistos no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, Irã, na quarta-feira, 17 de junho de 2026 — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP A agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad) alertou nesta terça-feira que, embora a reabertura do Estreito de Ormuz traga alívio imediato aos mercados de energia, economias vulneráveis continuam expostas ao risco de aumentos prolongados nos custos de alimentos e combustíveis. Os sistemas de abastecimento de alimentos e de transporte provavelmente levarão mais tempo do que os mercados de energia para se recuperar, já que as cadeias de suprimento interrompidas precisarão de mais tempo para se reorganizar após mais de 100 dias de graves interrupções no transporte marítimo pela estratégica via navegável, afirmou a agência em um novo relatório. O estreito, por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás, ficou praticamente paralisado durante o conflito desencadeado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de fevereiro. Embora o petróleo Brent tenha recuado fortemente para cerca de US$ 73 por barril — próximo aos níveis anteriores ao conflito — após o acordo provisório entre EUA e Irã, a Unctad afirmou que os custos mais elevados de combustíveis, gás e fertilizantes podem continuar pressionando a produção agrícola, os custos de transporte e os orçamentos das famílias. As economias mais vulneráveis permanecem particularmente expostas aos choques nos preços do petróleo e dos fertilizantes, enquanto a persistência de preços elevados dos alimentos pode aumentar ainda mais a pressão sobre as famílias mais pobres. Segundo a Unctad, um aumento de 5% nos preços dos alimentos pode elevar significativamente o risco de desnutrição aguda infantil. A agência identificou 61 economias vulneráveis expostas aos choques nas importações de petróleo e cereais relacionados à interrupção do tráfego em Ormuz. Entre elas está Cabo Verde, que depende fortemente da importação de combustíveis e vem registrando aumento nos custos de eletricidade, transporte e alimentos, tendência que pode persistir mesmo após a estabilização dos mercados de energia. Países importadores de alimentos básicos, como o Iêmen, também permanecem altamente vulneráveis, porque suas economias frágeis têm pouca capacidade para absorver o aumento dos preços dos grãos e dos custos de transporte. A Unctad pediu apoio internacional para ajudar os países mais expostos a se recuperar dos choques recentes.