Enquanto isso, trânsito pelo Estreito de Ormuz parecia ter praticamente parado nesta sexta-feira, depois que mais dois navios foram atacados na região 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pessoas passam por um mural que retrata o falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em uma rua de Teerã, Irã, em 13 de agosto de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou na quinta-feira, em entrevista à Newsmax, que Washington anunciará na próxima semana medidas econômicas "sem precedentes" contra o Irã, em uma nova tentativa de aumentar a pressão sobre a República Islâmica após quase seis meses de guerra. Segundo ele, as ações serão de uma escala “nunca vista na história do isolamento econômico de um país” e serão parte de “um golpe duplo”, uma vez que serão combinadas à manutenção do bloqueio americano aos portos iranianos. A ofensiva econômica dos EUA ocorre em meio ao impasse nas negociações por uma paz duradoura no Oriente Médio e depois de meses de conflito que atingiram duramente a economia iraniana, com danos à capacidade industrial e forte redução das exportações de petróleo bruto de Teerã. Apesar disso, sucessivas rodadas de sanções impostas ao país ao longo dos anos não conseguiram levar o regime teocrático a ceder em seu programa nuclear nem no controle do Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, o presidente americano, Donald Trump, enfrenta pressão interna para encerrar a guerra considerada impopular, com os altos preços dos combustíveis afetando seus índices de aprovação e potencialmente ameaçando o controle de seu partido sobre o Congresso em meio à proximidade das eleições de meio de mandato, previstas para serem realizadas em novembro. O chefe da Casa Branca afirmou repetidamente que os EUA têm “controle total” sobre Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra, provocando contestações do Irã. Em contrapartida, Teerã diz que não permitirá a reabertura da via marítima até que suas condições sejam atendidas. Entre elas estão a retirada das sanções econômicas e a liberação de ativos iranianos congelados. Na quinta-feira, uma comissão do Parlamento iraniano aprovou o plano do país para o estreito. O texto inclui uma disposição que proíbe a passagem de embarcações, equipamentos e outros ativos dos EUA, de Israel e de outros países considerados “hostis”, informou a agência de notícias semioficial Tasnim. O trânsito pela hidrovia parecia ter praticamente parado nesta sexta-feira, depois que mais dois navios foram atacados na região. Uma fonte iraniana de alto escalão afirmou na quarta-feira que não houve avanços nas negociações para ampliar o acordo de junho destinado a encerrar a guerra. Depois que um cessar-fogo foi retomado e posteriormente desmoronou, o Irã voltou a atacar navios que acusa de tentar atravessar o estreito sem sua autorização. Embarcações próximas ao Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, em Omã, em 10 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Duas embarcações da estatal Abu Dhabi National Oil Company foram atacadas enquanto atravessavam o estreito na noite de quinta-feira, informou a agência estatal de notícias dos Emirados Árabes Unidos, WAM. O governo dos Emirados responsabilizou o Irã, que não comentou imediatamente. Nove embarcações atravessaram a estreita via marítima na entrada do Golfo na quinta-feira, ante cinco na quarta, mas abaixo da média de 12 registrada em agosto, segundo a empresa de rastreamento de navios Kpler. Dados de rastreamento de embarcações não mostravam nenhuma travessia visível nas primeiras horas desta sexta-feira. Alguns navios podem atravessar a região sem serem detectados, com seus transponders desligados, mas os números estão muito distantes das mais de 130 embarcações que cruzavam diariamente o Estreito de Ormuz antes da guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em fevereiro. Nesse contexto, os contratos futuros do petróleo Brent e do americano West Texas Intermediate (WTI) registravam leves altas, cotados a cerca de US$ 87 e US$ 81 por barril, respectivamente. A dependência da Índia do petróleo russo atingiu nível recorde em julho, enquanto refinarias da Ásia, importantes compradoras de combustíveis do Golfo, adquiriram petróleo americano nesta semana para garantir o abastecimento futuro. Além disso, em outra frente, relatos de que os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, atacaram com drones uma refinaria da Saudi Aramco na quinta-feira renovaram os temores de uma ampliação da guerra regional. Economistas de diferentes países preveem uma forte desaceleração do crescimento mundial e, potencialmente, a entrada de algumas regiões em recessão, alertando que os impactos devem aumentar caso a guerra não termine em breve.