Passageiros de ônibus municipais do Rio passam por um verdadeiro sufoco para conseguirem circular pela cidade. Com a frota reduzida por causa da greve dos rodoviários, que entrou em seu segundo dia nesta terça-feira, os veículos que estão nas ruas transitam completamente lotados. A alternativa é enfrentar o aperto ou esperar pelo próximo coletivo — que ninguém sabe quando virá. A maioria escolhe enfrentar o aperto. No Terminal Gentileza, os ônibus que chegam já saem com as pessoas espremidas umas nas outras. Na Central do Brasil, as filas também tomam conta dos pontos. Com a chegada dos ônibus, as pessoas saem correndo para tentar embarcar. – Eu já estou com dor no joelho de ficar aqui em pé – disse uma passageira que aguardava por um ônibus da linha 324 para a Ilha do Governador, na Zona Norte. Alguns passageiros acabam pagando pelo carro de aplicativo, ainda que o valor esteja inflacionado. Cibele Carla, de 32 anos, trabalha como técnica de enfermagem no Instituto do Cérebro, no Centro, e, às 8h, estava desde as 4h30 sem conseguir pegar o ónibus para casa. A alternativa foi se render ao app, mesmo com a corrida custando o dobro do preço. — Eu fiz um plantão de 24 horas e estou desde as 4h30 tentando chegar em casa. Mas está complicado. Como o ônibus não passou, nem lotado, eu tive que pegar um carro de aplicativo e foi o dobro do valor. E o patrão não paga não, sai do meu bolso. O ônibus costuma passar de cinco em cinco minutos, mas, até agora nada — disse ela, que mora em Inhaúma, na Zona Norte. 'A pessoa é amassada e humilhada', diz passageiro ao tentar entrar em ônibus lotado A estudante de Educação Física Luma Cavalcante já estava no está no ponto da Avenida Presidente Vargas, na Cidade Nova, havia mais de uma hora e sem ideia de quando conseguiria deixar o local. — Estou esperando para ir paro estágio. Só passou um (ônibus) bem lotado até agora. Não peguei porque fiquei com receio de me machucar — contou. Sentado na escada próxima ao ponto da pista central da Avenida Presidente Vargas, Dalcir Theodoro aguardava pelo ônibus para a Freguesia, na Zona Oeste, havia mais de duas horas. O assistente administrativo saiu de casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, às 4h30, e, às 8h32, ainda esperava pelo ônibus para o trabalho. – Hoje está bem pior que ontem. Eu já estou cansado mas tenho que esperar, né? Eu tinha que estar no trabalho às 8h, mas não consegui. E o carro por aplicativo está caro. Não posso mais fazer esse sacrifício, já fiz ontem. Paguei o dobro do valor normal — contou ele, ao se levantar para "esticar as pernas". No ponto com Dalcir há outros passageiros impacientes que aguardam pelo transporte público. Entre eles estão Luciana Nunes, Maria Joana e Thallis Araújo que também ocupavam os degraus da escada enquanto esperavam por seus ônibus. Segundo os passageiros, em dias normais o transporte passa rápido. Nesta terça-feira, eles não sabem o que fazer além de esperar e filmar para mostrar aos patrões que não passa nenhum ônibus para o trabalho. 'Uma pessoa em cima da outra' As amigas Mayisa de Barros, de 23 anos, e Myllena Ferreira, de 21, estavam num ponto de ônibus na Avenida Presidente Vargas havia quase 30 minutos quando decidiram pagar por um carro de aplicativo. O valor da corrida para Copacabana, na Zona Sul, onde ambas trabalham, foi de R$70. – Não temos muito o que fazer, né? Já estamos atrasadas. Então, temos que pagar. Nunca ficamos tanto tempo aqui. Geralmente, sempre vem dois ônibus do 457 de uma vez. Mas, hoje, nenhum — disse Myllena. Antes de esperarem pelo 457, no Centro, as amigas pegaram um ônibus da linha 371 na Praça Seca, Zona Oeste. — Veio muito lotado, com uma pessoa em cima da outra praticamente. Até roubaram o celular de uma moça, pegaram o aparelho da bolsa dela e ela nem sentiu. O ônibus lotado demais, né? — contou Mayisa. Orientação do COR O Centro de Operações de Resiliência (COR), da prefeitura, orienta a população para dar preferência ao deslocamento por metrô, trens e barcas, serviços que operam normalmente. O Rio Ônibus informou que há 1.400 ônibus circulando — o mínimo previsto era de 1.800, que corresponde a 50% da frota. Segundo o sindicato, esse número representa mais do que o dobro em relação ao mesmo horário desta segunda-feira. Durante a madrugada não houve novos registros de vandalismo. Dezenas de pessoas no ponto de ônibus em São Cristóvão — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo Ainda conforme o Rio Ônibus, os consórcios reforçam o apelo para que todos os motoristas e rodoviários compareçam às garagens, cumprindo a decisão judicial que determina a operação de pelo menos 50% da frota. Segundo dia de greve dos rodoviários do Rio 1 de 11
Greve de ônibus: passageiros passam por sufoco com veículos lotados; 'Tive que pegar um carro de aplicativo e foi o dobro do valor', reclama usuária
Paralisação entrou no segundo dia nesta terça-feira; reunião decidirá rumo do movimento dos rodoviários













