Desastres dessa magnitude costumam exigir várias semanas de espera e trabalho de resgates para determinar panorama completo de vítimas, explicam especialistas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mais de 100 edifícios vieram ao chão e outras centenas foram danificados nos terremotos que atingiram a Venezuela na semana passada — Foto: Yan Boechat RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 18:08 Terremotos na Venezuela: Mortes Podem Ultrapassar 10 Mil, Alertam Especialistas Os terremotos na Venezuela, que já somam 1.719 mortos, podem ter um número de vítimas ainda maior, segundo especialistas. A dificuldade em contabilizar os mortos deve-se à extensão dos danos, às dificuldades de resgate e à precariedade do sistema de saúde. As projeções indicam que o total de mortos pode ultrapassar 10 mil, com fatores como padrões de construção e infraestrutura deficiente contribuindo para o alto número de vítimas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O número oficial de mortos após os dois terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira já subiu para 1.719 pessoas, segundo a contagem mais recente das autoridades locais. No entanto, esse número alarmante ainda pode representar uma subestimativa significativa. Segundo especialistas em resposta a desastres, muitas vezes são necessárias várias semanas para se ter um panorama completo após catástrofes dessa magnitude, e diversos indícios vindos da Venezuela sugerem que esses terremotos foram particularmente letais. — Infelizmente, veremos o número de mortos continuar a subir — afirmou Ilan Kelman, professor de desastres e saúde na University College London, em entrevista na segunda-feira. Emily So, professora de engenharia arquitetônica na Universidade de Cambridge, também previu um aumento significativo no número de vítimas com o passar do tempo, citando o elevado número de pessoas desaparecidas, a extensão dos danos visíveis nas edificações e as dificuldades de acesso às áreas mais atingidas, o que tem prejudicado algumas operações de resposta. — Tragicamente, enquanto os corpos não forem resgatados debaixo dos escombros, a contagem permanecerá baixa — disse ela. O professor Kelman ressaltou a dificuldade de prever exatamente qual será o patamar final de vítimas, acrescentando que há uma grande probabilidade de que o número total jamais seja conhecido. Contudo, ele observou que permanece uma possibilidade sombria, porém plausível, a projeção preliminar — divulgada pelo Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) com base em fatores como a magnitude do terremoto, a densidade populacional e a infraestrutura local — de que o total de mortos poderia ultrapassar 10 mil. A longa demora prevista entre o desastre e a contagem final de vítimas deve-se a vários fatores. O trabalho de recuperação dos corpos é extremamente lento e não constitui prioridade para a maioria das equipes de resposta: nos dias que se seguem imediatamente a um desastre, o foco delas é o resgate de sobreviventes. O tempo necessário para vasculhar os escombros é também ampliado pela quantidade de edifícios danificados ou destruídos — estimativas do total variam de centenas a dezenas de milhares, dependendo do método de pesquisa e dos critérios utilizados. Além disso, outras vítimas continuarão a morrer em decorrência de seus ferimentos, em parte devido ao sistema de saúde da Venezuela, que já opera no limite de sua capacidade, acrescentou o professor Kelman. As operações de resposta foram ainda mais dificultadas por atrasos causados ​​pelo trânsito na rodovia principal de acesso a La Guaira — o estado mais atingido —, bem como pela falta de maquinário pesado e pela insuficiência de suprimentos médicos. Mesmo em esforços de resposta bem organizados, muitos sobreviventes acabam sendo resgatados por amigos, familiares e vizinhos sem treinamento, esclareceu a professora So. — No entanto, a extensão dos danos e o colapso total de edifícios de concreto armado pesado tornam essa tarefa difícil sem o uso de maquinário — acrescentou ela. Em última análise, o professor Kelman atribuiu a dimensão do número final de vítimas a padrões de construção precários. Segundo engenheiros estruturais, muitos dos edifícios que desabaram eram feitos de concreto frágil, sem o devido reforço de aço. — Nenhum edifício deveria ter desabado naqueles terremotos — declarou ele, comparando o impacto com o de terremotos recentes em outras regiões que resultaram em um número menor de mortes. — Dispomos de todo o conhecimento, a ciência e a engenharia necessários para construir em zonas sísmicas sem que um terremoto resulte em um desastre catastrófico.