"Peço licença para cumprimentar uma quarta ministra que, quem sabe em um lugar do futuro, estará neste plenário: uma mulher negra", disse o ministro Edson Fachin, em março de 2023, em apoio ao movimento por indicação inédita ao STF (Supremo Tribunal Federal), que acabou ignorado pelo presidente Lula (PT).
Três anos depois, como presidente do Supremo e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em fevereiro, Fachin discursou em prol da equidade racial e empossou dois conselheiros negros: a desembargadora do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) Jaceguara Dantas da Silva e o juiz do TJ-DFT (Tribunal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) Fabio Esteves.
Com os dois conselheiros, a representação de negros chegou a 17% neste ano, crescimento de cinco pontos percentuais em comparação a 2025. Além de Esteves, há outros dois conselheiros homens autodeclarados negros. Entre as mulheres, Jaceguara é a única negra.
Dados do Painel de Estatísticas do CNJ mostram que até o final de março, juízes pardos e pretos representavam cerca de 13% dos Conselhos e Tribunais Superiores do país, ante 81% de brancos (patamar semelhante ao consolidado de 2025 na composição racial do Judiciário brasileiro). A maior parcela aparece na Justiça Militar Federal, com quase 23%, enquanto a menor é registrada na Justiça Militar Estadual, com cerca de 9%.









