Paraguaio de quase dois metros precisou se desfazer até da camisa usada na seleção sub-20 para sustentar a família e já havia decidido outra classificação nos pênaltis pelo San Lorenzo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Orlando Gill, goleiro do Paraguai em jogo contra a Alemanha — Foto: Jewel SAMAD / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 20:28 Orlando Gill: De Vendedor a Herói na Classificação do Paraguai Orlando Gill, goleiro paraguaio de 1,99m, conhecido como "Courtois paraguaio", foi decisivo na classificação do Paraguai contra a Alemanha na Copa do Mundo. Antes, Gill passou por dificuldades financeiras, vendendo até sua camisa da seleção sub-20 para sustentar a família. Sua carreira decolou no San Lorenzo argentino, onde se destacou por defesas e gols de falta. Hoje, é um nome importante na seleção paraguaia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Orlando Gill já conhecia o caminho entre a marca do pênalti e o papel de herói. Decisivo na disputa que classificou o Paraguai contra a Alemanha, o goleiro de 26 anos levou para uma Copa do Mundo uma história que, até pouco tempo atrás, parecia distante demais até para ele. Nascido na cidade paraguaia de San Lorenzo, Gill defende hoje outro San Lorenzo, o de Almagro, na Argentina, e transformou uma carreira construída longe dos holofotes em uma das trajetórias mais improváveis da seleção de Gustavo Alfaro. Melhores momentos de Alemanha x Paraguai Com 1,99m, o goleiro chama atenção pelo tamanho e ganhou na Argentina o apelido de “Courtois paraguaio”, em referência ao belga do Real Madrid. Nem sempre, porém, esteve debaixo das traves. Gill começou no Club 13 de Junio como meio-campista e era apontado pelos antigos companheiros como o jogador diferente do time. Depois de assumir o gol, desenvolveu ainda outra característica que remete a José Luis Chilavert: passou a cobrar faltas e marcou quatro gols desse modo no futebol paraguaio. A parte mais dura da história aconteceu quando seu filho, Lautaro, nasceu e enfrentou problemas de saúde. Gill ainda dava os primeiros passos como profissional no modesto Sportivo San Lorenzo, do Paraguai, e o dinheiro não bastava para as despesas da família. Segundo sua mulher, Melissa Ávalos, o goleiro vendeu roupas, chuteiras e até a camisa que guardava de sua passagem pela seleção paraguaia sub-20. “Vendeu tudo”, contou ela ao recordar o período. A oportunidade de mudar de vida surgiu no fim de 2023, quando ele trocou o San Lorenzo paraguaio pelo homônimo argentino. Chegou sem fama e foi inicialmente destinado ao time de reservas, no qual passou meses treinando antes de jogar e acabou vice-campeão da categoria. Estreou pela equipe principal somente na última partida de 2024, mas aproveitou as lesões dos concorrentes, ganhou espaço na preparação seguinte e começou 2025 como titular. Convencido pelo desempenho, o clube argentino pagou cerca de US$ 500 mil por metade de seus direitos econômicos. Foi também nos pênaltis que Gill viveu sua primeira grande noite no futebol argentino. Em maio de 2025, defendeu a cobrança de Maximiliano Romero e ajudou o San Lorenzo a eliminar o Argentinos Juniors, garantindo vaga na semifinal do Torneio Apertura. Já consolidado como um dos melhores goleiros do país, chegou à seleção principal do Paraguai e estreou em setembro daquele ano, numa vitória por 1 a 0 sobre o Peru. Menos de um ano depois, o jogador que precisou vender as próprias lembranças do futebol para cuidar do filho tornou-se dono de uma imagem impossível de negociar: a de herói paraguaio numa Copa do Mundo. Contra a Alemanha, seleção que jamais havia perdido uma disputa por pênaltis no torneio, Gill deixou de ser apenas o “Courtois paraguaio”. Passou a carregar um nome próprio na história de seu país.