O Caprichoso empatou na primeira noite e venceu as outras duas noites. No fim da apuração, o boi vencedor alcançou 1.259,0 pontos contra 1.258,3 pontos do Garantido. Foram avaliados 21 itens, entre eles apresentador, cunhã-poranga, alegorias, ritual indígena e evolução. O Festival de Parintins 2026 foi realizado entre os dias 26 e 28 de junho e reuniu milhares de torcedores na ilha. Durante as três noites, Caprichoso e Garantido apresentaram espetáculos que combinaram música, dança, alegorias, lendas amazônicas e referências às culturas indígena e afro-brasileira em busca do título. Ao sair do Bumbódromo, o presidente do Caprichoso Rossy Amoêdo celebrou o título e afirmou que o clima é de festa ao lado dos torcedores. "A gente vai curtir o festival, aproveitar o festival. Hoje é um dia de festa, é um dia de coisas boas, é um dia de vitória. Vamos pra cima". Artistas do Boi Caprichoso celebram título do Festival de Parintins 2026 em trio elétrico ao lado de torcedores. — Foto: Patrick Marques/g1 AM Relembre abaixo como foram as apresentações do Boi Caprichoso nas três noites do 59º Festival Folclórico de Parintins. Primeira noite Ao longo da noite, o bumbá homenageou os brincadores de boi e reforçou a importância das manifestações populares que ajudaram a construir a identidade cultural parintinense. Entre os momentos mais aguardados estiveram as evoluções da cunhã-poranga Marciele Albuquerque, que surgiu da alegoria "Cobra Grande – A Deusa da Encantaria", da sinhazinha da fazenda Valentina Cid e da rainha do folclore Cleise Simas. Boi Caprichoso na 1ª noite do Festival de Parintins 2026 — Foto: Divulgação/Caprichoso Segunda noite A apresentação iniciou com a Lenda Amazônica “Curupira – O Guardião da Vida”, inspirada em um dos personagens mais conhecidos do imaginário amazônico. A alegoria mostrou o Curupira como protetor da floresta, dos animais e dos caminhos da mata, símbolo da resistência diante das ameaças ao território. Em seguida, o Caprichoso trouxe a Figura Típica Regional “Os Pescadores e Pescadoras da Amazônia”. A alegoria homenageou quem vive dos rios e mantém tradições passadas de geração em geração, exaltando os trabalhadores das águas como guardiões da cultura amazônica. Encerrando a apresentação, o boi azul apresentou o Ritual de Transcendência Asurini – Maraká, inspirado na cosmologia do povo Asurini do Xingu. O quadro retratou a espiritualidade indígena e a conexão entre o mundo material e o dos encantados, reafirmando a força dos saberes ancestrais. Boi Caprichoso no meio da galera azulada na 2ª noite do Festival de Parintins — Foto: Tiago Corrêa/Secom Terceira noite O Caprichoso abriu o espetáculo da última noite surgindo dos céus ao lado do levantador Patrick Araújo. O primeiro quadro foi a lenda amazônica “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente”, de onde surgiu a cunhã-poranga Marciele Albuquerque, que evoluiu ao som de “Deusa das Lutas”. Na sequência, a rainha do folclore Cleise Simas evoluiu representando o Carimbó. Em seguida, a figura típica regional “As Farinheiras da Amazônia” revelou a porta-estandarte Marcela Marialva, que evoluiu ao som de “Deusa da Constelação”. A terceira alegoria apresentou a exaltação cultural “O Auto do Boi Brasileiro”, conduzida pelo amo Caetano Medeiros. A alegoria revelou o boi Caprichoso e a sinhazinha Valentina Cid, que tocou violino durante a toada “Leveza de Sinhá”. Patrick Araújo ainda homenageou o compositor Chico da Silva com a toada “Meu Amor é Caprichoso”. Fechando a apresentação, o Caprichoso levou à arena o Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin. Da alegoria surgiu o pajé Erick Beltrão, que encerrou o espetáculo ao som de “Mothokari”. Inspirado na cosmologia do povo Xikrin, alegoria do Caprichoso retrata a jornada de formação do xamã, que atravessa diferentes planos espirituais em busca de conhecimento, proteção e equilíbrio. O ritual simboliza a transformação espiritual, a conexão entre humanidade, natureza e sobrenatural e o papel do xamã como mediador entre os povos e as forças que regem o universo. — Foto: Lucas Macedo/g1AM