O técnico Carlo Ancelotti desenhou a estratégia da seleção para valorizar o jogador Vini Jr., camisa 7 da Seleção Brasileira — Foto: Foto: Reuters Assistir a um jogo do Brasil durante a Copa do Mundo é como “estar em uma cerimônia de culto aos ancestrais” diante da celebração dos torcedores aos antigos craques, como Pelé e Ronaldo, mas essa sensação de nostalgia acaba quando Vinícius Júnior entra em campo, avalia o Financial Times em texto publicado nesta segunda-feira (29). Para o jornal, a Seleção brasileira foi montada em torno do jogador acostumado ao futebol europeu desde os 18 anos e que carrega as expectativas de conquistar o hexacampeonato brasileiro. “Moldado na Europa, Vini não é um jogador da linhagem do ‘futebol-arte’ brasileiro, como Neymar, mas sim um atleta de jogo mais direto: um ponta que corta da esquerda para o meio e finaliza com a perna direita”, escreve a revista. O Financial Times afirma que o Vini era uma “figura secundária” na seleção brasileira antes da Copa do Mundo atual. “Por quase uma década, a Seleção foi estruturada em torno de Neymar, um armador que gostava de receber a bola no pé, deixava o trabalho defensivo para os outros e construía ataques lentos e elaborados, o que reduzia os espaços para a velocidade de Vini.” Mas a chegada do técnico Carlo Ancelotti, que já trabalhou com Vini no Real Madrid, mudou a estratégia do time para valorizar o craque, que atualmente possui a melhor forma física entre os atacantes escalados, considerando que Neymar está ainda se recuperando de uma lesão e que Raphinha se machucou durante a Copa. “A velocidade de Vini é mais perigosa quando ele tem espaço para disparar em velocidade. Por isso, a equipe de Ancelotti — de forma incomum para o Brasil — aposta no contra-ataque", descreve o Financial Times. "O esquema tático atual não funcionaria com Neymar. Ele provavelmente só entrará em campo como opção de emergência caso o Brasil precise buscar um gol contra uma defesa muito fechada”. Casos de racismo O Financial Times também escreve como Vini enfrenta “possivelmente mais racismo do que qualquer outro jogador de futebol” e como ele é “frequentemente culpado pelos ataques que sofre das torcidas na Espanha e em outros lugares”. Ainda assim, ele conta com o apoio de Ancelotti e da torcida brasileira. Diante dos casos de racismo enfrentados pelo jogador, o Congresso Nacional discute o Projeto de Lei 3089/2023, conhecida como “lei Vinícius”, para ajudar no combate a esse tipo de preconceito nos estádios brasileiros. A Fifa também aprovou uma versão similar de regra para que jogadores que cubram a boca para insultar o adversário sejam expulsos de campo. O paraguaio Miguel Almirón foi expulso com base nessa regra durante um jogo contra a Turquia na Copa este mês.