Medicamentos GLP-1, criados para tratar obesidade e diabetes tipo 2, não são classificados como drogas para melhorar o desempenho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Serena Williams revela uso de caneta emagrecedora — Foto: Divulgação / Ro RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 13:01 Serena Williams retorna ao tênis e reacende debate sobre GLP-1 no esporte Serena Williams retorna ao tênis após usar medicamentos GLP-1, criados para tratar diabetes e obesidade, sem classificação como drogas de desempenho. Seu retorno reacende debates sobre o uso desses medicamentos no esporte, que a Agência Mundial Antidoping monitora desde 2024. Enquanto Williams se beneficia do uso, a comunidade esportiva discute se essas substâncias violam o "espírito do esporte". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Serena Williams está de volta. Após algumas participações em torneios de duplas na grama neste mês, a vencedora de 23 títulos de Grand Slam em simples e 14 em duplas jogará em ambos os torneios em Wimbledon, que começa na segunda-feira. Williams enviou uma mensagem ao mundo do tênis de que o verão pode estar chegando com tudo. O retorno de Williams acontece um ano depois de ela ter decidido que tinha algo mais para contar ao mundo. No verão passado, ela disse que estava tomando Zepbound, um dos medicamentos de nova geração desenvolvidos para tratar diabetes, mas que também podem ajudar as pessoas a perder peso: os GLP-1s. Williams, de 44 anos, disse que tomou a decisão depois de tentar praticamente todas as outras opções. Ela não queria pegar "o atalho", disse no podcast da Oprah Winfrey, mas, segundo Williams, chegar aonde queria depois de suas duas gestações não seria possível apenas com treinamento. "Eu não conseguia vencer o peso. Era o único adversário que eu não conseguia derrotar", afirma Williams, que gerencia seu tratamento por meio da Ro, uma empresa de telemedicina para a qual ela atua como embaixadora remunerada. Charles Barkley, membro do Hall da Fama da NBA e comentarista de TV, também é embaixador. O marido de Williams, Alexis Ohanian, fundador do Reddit, é um dos principais investidores da Ro. Tudo mudou este mês, quando Williams anunciou seu retorno, primeiro com uma partida de duplas com Victoria Mboko no torneio de Queen's, em Londres, e depois com uma partida de duplas com Karolina Muchova em Berlim. Agora, em Wimbledon, ela jogará na chave de simples e, com sua irmã, Venus, na chave de duplas. Quando revelou o uso de GLP-1, Williams não jogava uma partida profissional havia quase três anos. Ela havia acabado com os rumores de um retorno, ocupada sendo uma das maiores tenistas e atletas de todos os tempos, uma estrela dos negócios e da cultura pop tanto quanto das quadras de tênis. Imediatamente, Williams recuperou sua posição como a estrela mais magnética do esporte. Ela também se tornou, de longe, a atleta mais proeminente a competir no mais alto nível de seu esporte após usar medicamentos GLP-1, que vêm sendo monitorados pelas autoridades antidoping desde 2024. Williams, que sempre foi uma história à parte, retorna à arena que dominou como personagem em um debate maior que paira sobre o mundo dos esportes. Os GLP-1 não são substâncias proibidas, nem são classificados como drogas para melhorar o desempenho. Talvez nunca venham a ser. Eles funcionam imitando o comportamento do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1), um hormônio natural que estimula o pâncreas a liberar insulina, retardando a digestão e reduzindo o apetite e a fome. Pessoas que tomam medicamentos GLP-1 relatam uma redução significativa no "ruído alimentar", a parte da mente que fica pensando na próxima refeição. A redução na ingestão de alimentos pode levar a uma perda de peso significativa. A semaglutida e a tirzepatida, as duas principais classes de medicamentos GLP-1, estão no programa de monitoramento da Agência Mundial Antidoping (WADA) desde 2024. Não há um cronograma definido para o processo da WADA estabelecer se os GLP-1 melhoram o desempenho, segundo um porta-voz da organização. O protocolo antidoping do tênis é gerenciado pela Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA), mas, por ser um esporte olímpico, a WADA supervisiona o cumprimento de seu código. “A semaglutida e a tirzepatida foram adicionadas ao programa de monitoramento para rastrear padrões de uso no esporte, dentro e fora de competição. O programa de monitoramento inclui substâncias que não estão na lista de proibidas, mas que a WADA deseja monitorar para detectar possíveis padrões de uso indevido no esporte”, diz um comunicado da WADA. Para entrar na lista de substâncias proibidas, uma substância precisa satisfazer dois dos três critérios: o potencial para melhorar o desempenho esportivo; o potencial para representar um risco à saúde dos atletas; e o potencial para violar o que a WADA define em seu código como o “espírito do esporte”. Existe uma divisão no mundo antidoping sobre se violar o "espírito do esporte" é um critério muito vago, e alguns defendem que a aplicação das regras deve ser baseada exclusivamente na ciência. Por ora, porém, recorrer ao que a WADA considera um atalho no treinamento pode contribuir para que uma substância seja incluída na lista de proibidas. A WADA tem demonstrado crescente preocupação com o papel dos medicamentos para perda de peso no esporte. A ata de uma reunião do Comitê de Saúde e Pesquisa da WADA, realizada em agosto passado, mostra uma discussão sobre "se uma nova classe de substâncias que abranja todos os tipos de substâncias para controle de peso deveria ser criada, não apenas para esportes com categorias de peso, mas também para aqueles sensíveis ao peso (por exemplo, ginástica, patinação artística, ciclismo)". A preocupação é que, à medida que as empresas desenvolvem GLP-1s com ação mais rápida e maior eficácia, os atletas possam usá-los como um atalho para o treinamento. É aí que a violação do "espírito do esporte" pode entrar em jogo. A questão é se um número suficiente de especialistas e autoridades concordará que os GLP-1 oferecerão um atalho equivalente a substâncias como diuréticos, que são comprimidos que fazem os rins eliminarem mais sal e água na urina. Estão na lista de substâncias proibidas porque, ao diluir a urina, podem dificultar a detecção de drogas para melhorar o desempenho em exames toxicológicos, mas também podem ajudar atletas em esportes como boxe e artes marciais mistas a atingir o peso ideal antes de uma luta. Os medicamentos GLP-1 agem muito mais lentamente, com o objetivo de proporcionar um resultado mais permanente. Perder peso com a ajuda deles pode levar meses. Quando Williams começou a pesquisar sobre medicamentos GLP-1 e como eles funcionavam, ela sentiu que não estava tomando nenhum atalho. Em vez disso, disse a Winfrey, estava ajudando algo em sua biologia que não estava funcionando corretamente, uma visão compartilhada por especialistas em peso e dieta. Na reta final de sua carreira, Williams sentiu que sua busca por ainda mais recordes no tênis estava comprometida por problemas nas articulações associados ao seu peso. "Minhas articulações estão muito mais leves", disse ela a Winfrey. A forma como os GLP-1 causam perda de peso pode complicar ainda mais a questão de se podem ser considerados como melhoradores de desempenho. A perda de gordura é o principal fator contribuinte. No entanto, estudos com pacientes que utilizam GLP-1 demonstraram que também ocorre perda muscular, o que, para atletas, teria o efeito oposto ao de melhorar o desempenho. Os fabricantes de GLP-1 podem eventualmente ajustar a estrutura molecular de seus medicamentos para minimizar a perda muscular. Isso poderia alterar significativamente a avaliação de sua capacidade de melhorar o desempenho. — Acho que o que veremos em breve é o lançamento de novos produtos no mercado que, de fato, apresentam menos efeitos colaterais, o que seria mais vantajoso para os atletas. Portanto, essa é uma ameaça crescente que precisa ser monitorada de perto — analisa Matthew Fedoruk, diretor científico da Agência Antidoping dos Estados Unidos. Caso os GLP-1 sejam eventualmente proibidos, os atletas poderão solicitar uma isenção para uso terapêutico, o que lhes permitiria tomar um medicamento se este for para tratar uma condição médica legítima e não melhorar significativamente seu desempenho. A equipe de comunicação de Williams recusou uma entrevista para este artigo e o pedido de sua opinião sobre o debate a respeito da possível proibição das drogas. No entanto, ela já expressou apreço pelas drogas e pelos benefícios que elas trouxeram para sua saúde em geral. "Gostaria de ter feito isso enquanto ainda jogava. Teria feito uma grande diferença para mim e para a minha carreira", relata Williams a Winfrey sobre o uso de GLP-1, quando seu retorno às quadras ainda era apenas uma ideia. Agora, ela está descobrindo o quão certa ela poderia ter estado.
Volta de atletas destaca como o esporte lida com as canetas emagrecedoras
Medicamentos GLP-1, criados para tratar obesidade e diabetes tipo 2, não são classificados como drogas para melhorar o desempenho






