De origem britânica, MG terá veículos saindo de uma linha de montagem terceirizada no Ceará 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 MG4: um dos modelos eletrificados da marca chinesa que serão fabricados no Brasil — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 12:26 MG Motor inicia produção de veículos elétricos no Ceará com investimento de R$ 60 milhões A MG Motor, controlada pela chinesa Saic Motor, vai iniciar a produção de veículos no Brasil em parceria com a Comexport no Ceará. Com investimento de R$ 60 milhões e previsão de R$ 340 milhões nos próximos quatro anos, a empresa fabricará os modelos elétricos MG4 Urban e MGS5. Esta será a primeira planta da MG na América do Sul, fortalecendo o mercado de veículos elétricos no Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A MG Motor, marca de origem britânica controlada pela chinesa Saic Motor, anunciou a produção de seus veículos no Brasil até o final deste ano. Os modelos MG4 Urban e MGS5 serão fabricados no Ceará, na cidade de Horizonte, em parceria com a brasileira Comexport, que será a responsável pela fabricação e, na mesma planta, mas em outro galpão, já está montando os veículos eletrificados da General Motors, o Spark e a Captiva. A MG Motor está investindo R$ 60 milhões na preparação da linha de montagem e promete mais R$ 340 milhões ao longo dos próximos quatro anos, quando pretende montar 50 mil veículos nesse período. Será a primeira unidade da MG Motor na América do Sul. Até agora, oito marcas chinesas já anunciaram produção no Brasil. O MG4 Urban é hatch elétrico, que será lançado em breve no Brasil, e o MGS5 é um SUV elétrico. Os preços dos dois veículos no Brasil ainda não foram revelados, mas no mercado especialistas avaliam que o valor do MG4 fique entre R$ 130 mil e R$ 150 mil e o MGS5 esteja na faixa entre R$ 195.800,00 na versão Comfort e R$ 219.800,00 na versão Luxury. O MG4 vai competir com O Dolphin da BYD, com o Aion UT, da GAC, e com o Geely EX2. A MG Motor informou que existe potencial para novos modelos, nos anos seguintes, incluindo o desenvolvimento de carros com tecnologia flex, movidos a gasolina e etanol. A expectativa é que sejam gerados 600 empregos diretos e indiretos na operação. "Realizar a montagem local do MG4 Urban e do MGS5 no Brasil é a concretização do compromisso de longo prazo que assumimos com o país e com a região desde o primeiro dia de nossas operações. Este movimento fortalecerá nossa presença de mercado e acelerará a construção de um ecossistema de mobilidade sustentável e acessível no Brasil", afirmou em nota Li Yang, CEO da MG Motor Brasil. Assim como outras montadoras chinesas, a Saic Motor está expandindo suas operações globalmente. Já tem 23 fábricas (cinco fora da China) e, em seus 70 anos de existência, fabricou mais de 100 milhões de unidades. Somente em 2025, o grupo comercializou mais de 4,5 milhões de veículos. O Brasil tem sido um dos destinos das montadoras asiáticas pelo tamanho de seu mercado consumidor (mais de 2 milhões de unidades vendidas por ano, sexto maior mercado do mundo) e segundo maior detentor de terra raras (apenas atrás da China), minerais essenciais para eletrificação. O benefício foi aprovado pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e tem validade de seis meses, limitado a US$ 463 milhões. Mas a MG Motor já vinha negociando a montagem de veículos no Brasil antes da decisão. A medida entra em vigor a partir de 1º de julho e vai até o final de dezembro. O projeto da MG Motor no Brasil segue o mesmo roteiro de outras fábricas chinesas: há previsão de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), incluindo o desenvolvimento do motor flex e capacitação de mão de obra. A montadora quer reforçar seu papel não apenas como plataforma de produção, mas como uma empresa que pretende contribuir com o avanço tecnológico da indústria brasileira, diz o comunicado. Para isso, o desembolso estimado pela MG Motor é de R$ 340 milhões. A tradicional fabricante inglesa MG (Morris Garages) foi fundada na Inglaterra em 1924. Enfrentou processo de falência e acabou mudando de mãos. Em 2005 foi comprada pela montadora chinesa Nanjing Automobile. E, em 2007, a Nanjing foi comprada pela gigante chinesa SAIC Motor, dona atual da marca. A MG ficou conhecida por seus 'roadsters' conversíveis (carros de dois lugares) e esportivos clássicos. Oito marcas chinesas vão fabricar no Brasil Com mais essa chinesa produzindo no Brasil, sobe para oito o número de marcas asiáticas iniciando fabricação local. Além da BYD e da GWM, com fábricas próprias na Bahia e em São Paulo, respectivamente, a GAC, a Geely e a Leapmotor fizeram parcerias com montadoras ocidentais para produção local. A Geely vai fabricar seus carros em São José dos Pinhais, no Paraná, numa unidade da Renault. A Leapmotor tem uma parceria global com a Stellantis, e vai produzir no Brasil na unidade de Goiana, em Pernambuco. A GAC vai produzir em Catalão, Goiás, onde o grupo brasileiro HPE já fabrica carros da marca Mitsubishi, sob licença. A Chery e mais recentemente a Changan fecharam parceria com a brasileira Caoa para fabricação de seus modelos na unidade de Anápolis, em Goiás. No mercado, há a expectativa de que a Omoda & Jaecoo possa fabricar seus veículos localmente na fábrica da Land Rover, em Itatiaia, no Rio de janeiro, mas ainda não há confirmação das montadoras. A Jaguar Land Rover encerrou a produção de veículos Discovery Sport e Range Rover Evoque na unidade do Rio. Expansão ao exterior Antônio Jorge Martins, coordenador de cursos de MBA do setor automotivo da FGV, explica que com a queda da demanda e o aumento dos custos no mercado interno chinês, as montadoras asiáticas se tornarão ainda mais dependentes das vendas externas, que estão crescendo rapidamente. Em abril, elas aumentaram 80% em relação ao ano anterior. O governo chinês, que liderou a transição global para a eletrificação ao injetar bilhões em subsídios diretos e isenções desde 2009, vem retirando esses benefícios. O setor automotivo, por exmeplo, foi excluído do plano estratégico (2026-2030). Pequim agora força a indústria a focar em eficiência, inovação e consolidação pelo livre mercado. — A saturação na China implica em reduzida ou inexistente rentabilidade, exigindo caminhar para o exterior — afirma o especialista.