Este texto é da newsletter de Thomas Traumann, enviada toda segunda-feira de manhã com uma análise do cenário político na semana que se inicia. Para ler antes da publicação on-line, direto no seu e-mail, clique aqui para se inscrever. Na edição de hoje tento aprofundar a divergência entre Flávio e Michelle Bolsonaro a partir de uma comparação feita pelo bispo evangélico Robson Rodovalho. Ele comparou Flávio Bolsonaro com o personagem bíblico Roboão, filho do rei Salomão e neto do rei Davi, que, por arrogância, acabou deixando seu reino se dividir. Mantendo a artilharia sobre a madrasta, não recuando no acordo do Ceará e bloqueando espaços na campanha, Flávio Bolsonaro terá dificuldades para unir a oposição. Mais ainda porque o fantasma de Daniel Vorcaro se recusa a morrer. A tática de Bolsonaro de admitir detalhes da crise a conta-gotas só aumenta o risco de o fantasma nunca ser exorcizado. Com o bolsonarismo em crise, Lula teima em não resolver o palanque de Minas Gerais por puro orgulho. Trago ainda a resenha de um grande livro lançado nesta semana no Brasil, “1929”. É o roteiro da maior crise financeira do século 20 contada como um thriller de terror que traz lições para os tempos atuais. Boa leitura. Nesta edição: O reino dividido A crise em conta-gotasRubio e a lição de ‘Bacurau’Aqui se fazO silêncio dos não-inocentesCrítica: ‘1929 – por dentro da maior crise da história de Wall Street e como ela abalou o mundo’Fique atento 1. O reino dividido Em entrevista ao editor de O GLOBO Thiago Prado, o bispo da Igreja Sara Nossa Terra Robson Rodovalho comparou o candidato Flávio Bolsonaro com o personagem bíblico Roboão, filho do rei Salomão e neto do rei Davi. No primeiro Livro dos Reis, Roboão, ao assumir o trono, contraria os conselhos dos anciãos e decide manter os altos impostos sobre as dez tribos no Norte, gerando uma guerra civil que termina por dividir o reino entre Israel e Judá. — (Roboão) presumiu que o reino já era dele sem precisar se esforçar. Flávio precisa consolidar a sua própria liderança no segmento (evangélico), ele não pode se considerar absoluto entre nós como foi o pai no passado — alertou o bispo. A crítica de Rodovalho é perspicaz. Sem os votos, o carisma e a liderança de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro é um herdeiro que tenta comandar o antipetismo apenas pela força do sobrenome. Arrogante, ele escuta os irmãos Eduardo e Carlos, mas desdenha da madrasta Michelle e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e trata como obrigação o apoio do governador Tarcísio de Freitas e do deputado Nikolas Ferreira. Faltando menos de 100 dias para o primeiro turno, a sua campanha não tem candidatos a governador viáveis em Minas Gerais e Rio de Janeiro, não obteve o apoio de nenhum partido fora o próprio PL, não arregimentou um único economista de primeira linha e perde em todas as pesquisas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os vídeos de Michelle Bolsonaro divulgados na semana passada acusando o enteado de maltratá-la, desobedecer a ordens do pai e fomentar uma onda de ódio nas redes sociais são reflexos dessa crise de legitimidade. Gravados com profissionalismo, os vídeos mostram a ex-primeira-dama usando o apoio do PL do Ceará ao ex-inimigo Ciro Gomes como pretexto para se mostrar como a verdadeira bolsonarista raiz da família. Michelle está se posicionando para herdar a liderança do bolsonarismo, seja em uma eventual derrota de Flávio em outubro ou até antes, na improvável hipótese de Jair decidir trocar de candidato neste ano. A reação do bolsonarismo aos vídeos foi pesada. Os irmãos aumentaram a artilharia sobre a madrasta, mantiveram o acordo no Ceará e concentraram ainda mais o poder na campanha. Eduardo Bolsonaro compartilhou link para um vídeo com o título: “Dossiê: Michelle — As Notícias Desmentem”, no qual um youtuber acusa a ex-primeira-dama de boicotar Flávio e de agir por interesses pessoais em vez de priorizar a derrota do PT. Eduardo republicou ainda outro vídeo do ex-deputado Alexandre Ramagem que acusa a ex-primeira-dama de “birra” por não ter aceitado a decisão do marido sobre a candidatura do enteado. O primeiro auxiliar de Eduardo, o blogueiro Paulo Figueiredo, acusou Michelle de ser “tigrona com Flávio Bolsonaro e tchutchuca com (o ministro do STF) Alexandre de Moraes”. Figueiredo critica até a forma como a ex-primeira-dama chama o marido “galego”: — Vocês não têm vontade de cortar um pouquinho os pulsos toda vez que ela fala “meu galego”? Não soa fake? Principalmente se vocês soubessem as coisas que eu sei — insinuou Figueiredo. Deu certo. Levantamento da AP Exata Inteligência mostrou que o episódio fez as menções positivas de Flávio nas redes sociais subirem ao melhor patamar dos últimos 45 dias. — Para o público geral, ficou consolidada a versão de que “roupa suja se lava em casa” e que a Michelle colocou em risco a possibilidade de a oposição derrotar Lula — diz Sergio Denicolli, da AP Exata. — Mas é importante ressaltar: ela não se dirigiu ao eleitorado total. Sua intenção era falar com as mulheres e com os evangélicos, e nesse segmento a imagem dela está preservada. Com o ex-presidente incomunicável, Flávio Bolsonaro disse ao jornalista Claudio Dantas que o pai não sabia do vídeo e que “ficou tão chateado que se recusou a assistir ao noticiário, mesmo com toda a repercussão do caso na TV”. Na sexta-feira (26), em Goiânia, Flávio Bolsonaro minimizou as críticas da madrasta e definiu o episódio como “página virada”. Acredite quem quiser. Na quarta-feira (1º), o candidato promove em Brasília um encontro com “mulheres conservadoras”. Mesmo que Michelle participe e pose para uma foto com o enteado, o estrago está feito. A grande vantagem do bolsonarismo sobre a esquerda era a sua organização, coesão e respeito à hierarquia. Nas redes, nas ruas e no Congresso, o bolsonarismo se consolidou como um movimento político por saber disseminar uma visão de mundo única, que dava direção, palavras de ordem e coerência para os militantes. Essa organização manteve a base unida mesmo em momentos de contradição, como a defesa da reabertura das empresas durante a epidemia da Covid, o discurso antissistema enquanto Bolsonaro entregava metade do governo para o Centrão, a campanha de desconfiança sobre as urnas eletrônicas com o PL elegendo a maior bancada do Congresso, a tentativa de golpe dos que defendiam a democracia, a condenação do ex-presidente e o descarte de Tarcísio de Freitas para a escolha de Flávio como candidato. Qualquer um que desafiasse a hierarquia era punido, como foi o governador João Doria e o general Freire Gomes. Até os vídeos de Michelle Bolsonaro. Os vídeos desorganizam a base, racham a coesão interna e colocam em dúvida a hierarquia. Flávio Bolsonaro não foi apenas acusado de desrespeitar a mulher que cuida de seu pai doente. Foi acusado de contrariar as ordens expressas do pai sobre o Ceará e ter incentivado os ataques à madrasta. Se a milionária relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro preso Daniel Vorcaro provocou dúvidas sobre sua ética, os vídeos de Michelle atingiram sua legitimidade como o sucessor de Jair Bolsonaro. Na pesquisa Genial/Quaest de junho, Flávio Bolsonaro já estava perdendo votos entre mulheres e evangélicos, dois segmentos nos quais Michelle é mais forte que ele. Segundo a pesquisa, depois da divulgação da doação dos R$ 61 milhões de Vorcaro a Flávio, a vantagem de Lula entre as mulheres na simulação de segundo turno saltou de 5 pontos percentuais em abril para 14 pontos percentuais em junho. Entre os evangélicos, onde Lula tem seus piores números, o escândalo Vorcaro fez a vantagem de Flávio Bolsonaro cair de 36 pontos percentuais em maio para 21 pontos em junho. O voto feminino é um conhecido problema para o bolsonarismo. Como mostra Jairo Nicolau no livro “Um país dividido”, foram as mulheres que levaram Lula de volta ao Planalto. Depois de obter 53% dos votos femininos em 2018, Jair Bolsonaro caiu para 42% em 2022 graças à sua conduta na epidemia da Covid, à defesa da liberação de armas e às seguidas posturas misóginas. Flávio, que vinha ganhando tração por se apresentar como um Bolsonaro vacinado, foi jogado pela madrasta para o mesmo nicho masculino do pai. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, percebeu a largura da fenda aberta pelo conflito. Em entrevista à repórter Kelly Mattos, da Rádio Gaúcha, no aeroporto de Miami, ele elogiou o trabalho de Michelle (“O que ela fez pelo PL Mulher não tem preço”), fez um meio elogio a Flávio (“ele tá com a eleição quase empatada com o Lula”) e colocou a eleição em outro patamar: — Se nós não nos entendermos, nós perderemos a eleição e quem vai pagar é o Bolsonaro — disse o dirigente. A declaração é um apito de cachorro: a vitória de Flávio não é dele, mas um veículo para a liberdade de Jair. Como sempre repete Valdemar, as chances de Flávio Bolsonaro ser eleito presidente dependem do empenho de três pessoas: o governador Tarcísio de Freitas, o deputado Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro. Os dois primeiros ficaram neutros na disputa familiar. A terceira entrou para disputar com Flávio o espólio da família no caso de derrota em outubro. O reino está dividido. 2. A crise em conta-gotas A campanha de Flávio Bolsonaro escolheu o caminho mais difícil para enfrentar o desgaste pelo patrocínio de R$ 61 milhões do banqueiro preso Daniel Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro: o de admitir a verdade aos poucos. Em 19 de maio, dias depois da revelação do site Intercept Brasil de que havia negociado patrocínio com Vorcaro, Flávio Bolsonaro reconheceu que se encontrou com o banqueiro uma última vez, em novembro de 2025, após ele ter sido preso pela primeira vez pela Polícia Federal. Disse então o candidato: — Estive com ele mais uma vez após esse evento (a prisão), quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e ele não podia sair da cidade de São Paulo. Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história (do financiamento do filme Dark Horse), dizer que, se ele tivesse me dito que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo. Na semana passada, depois que o colunista Lauro Jardim, de O GLOBO, informou que ocorreram outros encontros, Flávio Bolsonaro mudou sua versão. Ao jornalista Paulo Capelli, do portal Metrópoles, ele admitiu uma nova reunião, dessa vez na mansão de Vorcaro em Brasília, já em 2026, quando o Master estava sob liquidação do Banco Central e o noticiário sobre o escândalo era manchete em todos os jornais. Disse o candidato: — Nada mudou, isso aí é mais do mesmo, uma forçação de barra para tentar voltar esse assunto à tona. A minha relação com ele sempre foi por causa do filme. Nas vezes em que eu falei com ele foi para tratar do filme — insistiu. Flávio Bolsonaro não explicou como poderia receber ajuda do banqueiro, que, dias depois desse encontro em Brasília, foi preso e hoje enfrenta a possibilidade de mais de 20 anos de cadeia. O que certamente não vai ajudar a campanha é a tática de enfrentar a crise em conta-gotas. Como revelou o repórter Reynaldo Turollo Jr., da GloboNews, a Polícia Federal vai abrir nos próximos dias três inquéritos sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro: Os repasses de R$ 61 milhões feitos por Vorcaro a Flávio Bolsonaro; O eventual desvio de parte do dinheiro para bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e A indicação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme. O fantasma de Vorcaro não será exorcizado tão cedo. O secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio — Foto: Eric Lee/AFP 3. Rubio e a lição de ‘Bacurau’ Em um icônico diálogo do filme “Bacurau”, os turistas norte-americanos que vão ao sertão de Pernambuco caçar pessoas conversam com os brasileiros que também se divertem atirando nos moradores locais. — De onde vocês são? — pergunta o norte-americano. — Viemos do Sul do Brasil, uma região muito rica, com colônias italianas e alemãs. Somos como vocês — responde o caçador brasileiro. — Como nós? — perguntam os americanos, começando a rir — Vocês não são como nós. Nós somos brancos. Vocês não são brancos. A cena em que os personagens brasileiros descobrem que, mesmo matando nordestinos por esporte, eles ainda não são considerados iguais pelos norte-americanos é a essência da resposta do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, à carta de Flávio Bolsonaro para suspender o novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Rubio deixa evidente que a vitória de Bolsonaro interessa à Casa Branca, mas daí a fazer um gesto contrário aos norte-americanos vai uma diferença gigante. A resposta de Rubio exibe ainda a submissão de Flávio Bolsonaro, que propôs caso seja eleito criar uma equipe de transição entre o seu eventual governo e a Casa Branca. Seria inédito no mundo um governo soberano se oferecendo para receber as demandas e opiniões de uma nação estrangeira. Tudo para os Bolsonaros descobrirem que, no final, eles nunca serão considerados iguais pelos norte-americanos. 4. Aqui se faz Quando venceu as eleições em 2022, o presidente Lula telefonou para muita gente, menos para o seu candidato derrotado em Minas Gerais, Alexandre Kalil. Quatro anos depois, o PT não tem candidato em Minas e Kalil, agora no PDT, se recusa a dar o palanque a Lula. O presidente já tentou que o senador Rodrigo Pacheco fosse o seu candidato. Deu ruim. Pensou no empresário Josué Gomes. Também não foi para frente. Decidiu pela ex-prefeita petista Marília Campos, que recusou. Mandou vários interlocutores conversarem com Kalil, mas não adiantou. O senador Jaques Wagner (PT-BA) — Foto: Carlos Moura/Agência Senado 5. O silêncio dos não-inocentes De todos os atingidos pelo caso Master, o que menos pode reclamar das agruras da vida é o senador Jaques Wagner, do PT. Seus colegas senadores Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro apanham e colhem consequências políticas. Wagner teve de entregar a liderança do governo no Senado, é verdade, mas tem a sorte de disputar a reeleição ao Senado na Bahia, onde os políticos não querem saber do caso Master. Desde a operação da Polícia Federal sobre Wagner, ACM Neto, o maior adversário do PT na Bahia, fez postagens no Instagram sobre forró, Copa do Mundo, o frio na Bahia e até uma foto antiga com o avô, Antônio Carlos Magalhães, para adiantar-se à festa do 2 de julho. Neto não tratou de Wagner nem do Master. O silêncio não nasce de graça. Como mostraram os repórteres Victoria Azevedo, Sarah Teófilo, Dimitrius Dantas e Eduardo Gonçalves, de O GLOBO, entre dezembro de 2022 e maio de 2024, a A&M Consultoria (da qual ACM Neto e sua esposa são sócios) recebeu pagamentos que somaram R$ 3,6 milhões (sendo R$ 1,6 milhão do Master e R$ 2 milhões da Reag). ACM afirmou que os valores são referentes a “consultoria em gestão empresarial”. Na Bahia, o caso Master não existe. 6. Crítica: “1929 – por dentro da maior crise da história de Wall Street e como ela abalou o mundo” Em 4 de março de 1929, uma segunda-feira nublada e chuvosa em Washington, o engenheiro Herbert Hoover (1874-1964) tomou posse como 31º presidente dos Estados Unidos com um discurso panglossiano. — Em nenhum país, as instituições de progresso são avançadas. Em nenhum país, os frutos das realizações são mais seguros. Não tenho medo do futuro do nosso país. Ele é iluminado de esperança — disse. Era tudo mentira. Desde o início daquele ano, a Bolsa de Nova York vivia uma montanha-russa de quedas e altas numa frenética bolha de especulação financiada por empréstimos às pessoas físicas. Com apenas 10% do preço de uma ação, quase qualquer americano poderia financiar a compra dos outros 90% e entrar num mercado que, desde 1922, crescia a inacreditáveis 20% ao ano. Era dinheiro rápido e fácil. Fácil demais. Em 6 de fevereiro de 1929, o conselho do Federal Reserve (o banco central dos EUA) divulgou um comunicado oficial alertando para o risco da espiral especulativa. Parte do mercado ignorou a nota. Outra, iniciou uma campanha para sabotar o Fed pedindo uma intervenção direta do presidente Hoover. O presidente ouviu os argumentos dos banqueiros e nada fez. Havia um dogma de que o mercado financeiro poderia se autorregular e que o melhor que o governo poderia fazer era não interferir. “1929 – por dentro da maior crise da história de Wall Street e como ela abalou o mundo”, do jornalista norte-americano Andrew Ross Sorkin (editora Portfolio Penguin; 488 páginas; livro: R$ 99,90; e-book: R$ 39,90) chega finalmente às livrarias do Brasil e pode ser lido como um thriller de terror. O leitor sabe que o final será trágico, mas é seduzido pela capacidade do autor de reconstruir os fatos, explicar o contexto e repartir as responsabilidades da tragédia. Com estilo abertamente inspirado no livro “Uma Noite Fatídica”, em que Walter Lord reconstruiu o naufrágio do Titanic a partir da história dos seus passageiros, Sorkin montou seu roteiro a partir dos diários de dezenas de titãs do mercado do século 20, atas inéditas do Federal Reserve, comissões parlamentares do Congresso e até plantas arquitetônicas para ambientar as mansões dos magnatas. O livro desvenda banqueiros que ofereciam ações abaixo do preço de tabela a senadores, competidores que se aliavam para forjar altas de uma ação para lucrar milhões em um dia, políticos populistas que berravam contra a ganância de Wall Street, empresários que fraudavam balanços, magnatas tratados como celebridades, uma astróloga tratada por jornalistas como fonte para dicas de ações e um presidente inepto e medroso. Era impossível dar certo. O grande mérito de Sorkin é mostrar que o crash de 1929 não ocorreu de uma vez e que um ano depois parte da elite achava que era uma crise passageira. Foi uma morte lenta. Em 1932, os preços das ações haviam caído 80%, 11 mil bancos faliram e um em cada quatro americanos estava desempregado. Mesmo depois, em 1933, quando Franklin Delano Roosevelt assumiu a presidência, a lei obrigando a separação de bancos de investimentos e bancos comerciais foi aprovada por quase acaso. É natural que “1929” seja lido como um alerta para a onda especulativa atual. Os anos 1920 foram os tempos da revolução dos carros, dos LPs, do início do cinema falado e dos arranha-céus, assim como hoje vivemos a transformação da biotecnologia, das criptomoedas e da inteligência artificial. Colunista de finanças do New York Times, autor de “Too Big to Fail”, sobre o crack de 2008, e um dos roteiristas da série “Billions”, Sorkin foge da comparação fácil. “A história de 1929 não é sobre taxas ou regulamentação, nem sobre a astúcia dos que venderam ações a descoberto, nem sobre os fracassos dos banqueiros. É sobre algo muito mais perene: a natureza humana. Por mais que alertas sejam feitos, por mais que leis sejam promulgadas, as pessoas vão sempre encontrar novos modos de acreditar que os bons tempos podem durar para sempre, travestindo esperança em certeza. A lição duradoura não é que podemos impedir os ciclos de euforia e queda da economia. É que precisamos lembrar o quão rápido nos esquecemos. Quanto mais alta for a nossa certeza, mais longa e dura será a nossa queda”, escreve Sorkin. A vida de certezas é mais confortável, mas a de dúvidas é definitivamente mais longa. 7. Fique atento Depois do sucesso do programa de refinanciamento de dívidas Desenrola, o presidente Lula lança hoje (29) o novo programa para cortar juros de quem está com dívidas em dia com os bancos.Na eterna tentativa de mudar de assunto, o senador Flávio Bolsonaro se encontra hoje com o presidente argentino Javier Milei e entidades judaicas em Buenos Aires. Com o Brasil jogando contra o Japão hoje à tarde, os políticos ganham mais uma semana em que as atenções estarão na Copa do Mundo, e não em Brasília.O presidente Lula participa na terça-feira (30) da reunião do Mercosul, no Paraguai. O encontro deve ser dominado pela ajuda às vítimas do terremoto na Venezuela e as negociações por acordos comerciais com Canadá e Japão.O ministro do STF André Mendonça deve autorizar o primeiro inquérito da Polícia Federal sobre o patrocínio de Daniel Vorcaro ao “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro.Na quarta-feira (1º), Flávio Bolsonaro tenta a foto de reconciliação com Michelle Bolsonaro em um encontro de mulheres conservadoras em Brasília. Um mês depois de a Câmara aprovar o fim da escala 6x1, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, promove a primeira reunião sobre o tema na quarta-feira (1º), na residência oficial, com líderes do governo. No ritmo de Alcolumbre, a proposta só vai à votação depois das eleições e apenas se Lula vencer. Se Bolsonaro ganhar, a proposta será enterrada.
O reino dividido de Flávio Bolsonaro
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