Brasil e Japão chegam invictos ao confronto que vale uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo, mas por caminhos diferentes. A seleção brasileira avançou na liderança de seu grupo, apoiada na segurança defensiva e no poder de decisão de seus atacantes, enquanto os japoneses voltaram a mostrar organização, intensidade e capacidade para competir diante de adversários mais tradicionais. Para medir as forças individuais das duas equipes, O GLOBO comparou os 11 prováveis titulares por posição — ou pela função mais próxima, já que Brasil e Japão utilizam sistemas diferentes. Cada confronto considera três critérios: quem jogou melhor nesta Copa, quem teve desempenho superior na temporada 2025/26 e quem construiu a carreira mais vitoriosa. Alisson usará camisa verde contra a Escócia após veto da CBF sobre a cor vermelha escolhida pela Fifa — Foto: AFP Veja o resultado duelo por duelo: Alisson x Zion Suzuki Alisson começa o mata-mata com uma vantagem difícil de contestar. Sofreu apenas um gol em três partidas e, embora tenha sido pouco exigido durante parte da fase de grupos, transmitiu a segurança habitual quando o Brasil precisou. Também teve uma temporada superior pelo Liverpool, com números melhores de gols sofridos e partidas sem ser vazado do que Zion Suzuki pelo Parma. A diferença aumenta no currículo: o brasileiro já conquistou Champions League, Mundial de Clubes, Campeonato Inglês, Copa da Inglaterra e prêmios individuais de melhor goleiro do mundo. Suzuki, aos 23 anos, tem potencial e fez uma Copa correta, mas ainda está em outro estágio da carreira. Nesta Copa: AlissonNa última temporada: AlissonNa carreira: AlissonPlacar: Alisson 3 x 0 Zion Suzuki Danilo elogia Endrick em coletiva da seleção brasileira — Foto: Divulgação CBF Danilo x Takehiro Tomiyasu Dois defensores versáteis, capazes de jogar por dentro ou nas laterais, mas separados pelo momento físico e pelo currículo. Danilo chegou à Copa depois de uma temporada marcante pelo Flamengo, onde mesmo reserva brilhou, e foi seguro durante a primeira fase. Tomiyasu, por sua vez, passou boa parte dos últimos anos convivendo com lesões e teve pouco espaço na temporada. Mesmo em sua melhor forma, o japonês teria dificuldades para alcançar a coleção do brasileiro, campeão de Champions League, Libertadores e ligas nacionais por Porto, Real Madrid, Manchester City e Juventus. Nesta Copa: DaniloNa última temporada: DaniloNa carreira: DaniloPlacar: Danilo 3 x 0 Takehiro Tomiyasu Melhores momentos de Brasil x Escócia Marquinhos mantém confiança na seleção brasileira para a Copa do Mundo — Foto: Divulgação/Fifa Marquinhos x Shogo Taniguchi Capitão e principal organizador da defesa brasileira, Marquinhos liderou uma linha que terminou a fase de grupos com apenas um gol sofrido. Taniguchi também foi importante para dar experiência à equipe japonesa, mas participou de um sistema mais vulnerável. Na temporada, o brasileiro voltou a ocupar papel central no Paris Saint-Germain, enquanto o japonês manteve boa regularidade no futebol belga, em um nível inferior de competição. A carreira amplia a distância: Marquinhos acumulou títulos franceses, conquistas europeias e mais de uma década na elite do continente. Nesta Copa: MarquinhosNa última temporada: MarquinhosNa carreira: MarquinhosPlacar: Marquinhos 3 x 0 Shogo Taniguchi Gabriel Magalhães na coletiva da seleção brasileira — Foto: Rafael Oliveira Gabriel Magalhães x Hiroki Ito Gabriel Magalhães foi mais firme na Copa e teve uma temporada muito superior. Protagonista do Arsenal, terminou 2025/26 entre os melhores zagueiros da Premier League, com impacto defensivo e também nas bolas paradas. Hiroki Ito, prejudicado por problemas físicos, não conseguiu se estabelecer como titular absoluto do Bayern de Munique. O japonês equilibra parcialmente a disputa pelo currículo coletivo: mesmo com menos protagonismo, já acumulou importantes conquistas no futebol alemão, enquanto Gabriel ainda começa a transformar o ótimo desempenho individual em troféus. Nesta Copa: Gabriel MagalhãesNa última temporada: Gabriel MagalhãesNa carreira: Hiroki ItoPlacar: Gabriel Magalhães 2 x 1 Hiroki Ito Douglas Santos ganhou a vaga de titular na estreia do Brasil — Foto: Darrian Traynor / Getty Images via AFP Douglas Santos x Keito Nakamura O duelo mais difícil de enquadrar taticamente coloca o lateral-esquerdo brasileiro diante do jogador que ocupa o mesmo corredor no Japão. Keito Nakamura foi um dos atletas mais perigosos da seleção japonesa durante a primeira fase, com participação direta em gols e presença constante no ataque. Douglas Santos, porém, teve uma temporada mais regular e equilibrada pelo Zenit, combinando capacidade defensiva, construção e chegada à frente. Também possui uma carreira mais vencedora, marcada pelo domínio nacional na Rússia. Nesta Copa: Keito NakamuraNa última temporada: Douglas SantosNa carreira: Douglas SantosPlacar: Douglas Santos 2 x 1 Keito Nakamura Casemiro em campo em Brasil x Haiti pela Copa do Mundo 2026 — Foto: Michael Owens/Getty Images via AFP Casemiro x Kaishu Sano Kaishu Sano foi um dos melhores meio-campistas japoneses na temporada europeia, com enorme capacidade para cobrir espaços, recuperar bolas e sustentar a intensidade do Mainz na Bundesliga. Nos outros dois quesitos, Casemiro ainda está à frente. O brasileiro fez uma primeira fase mais segura, comandando a proteção à defesa e permitindo que Bruno Guimarães e Paquetá avançassem. Na carreira, a comparação é desigual: cinco Champions League, títulos nacionais pelo Real Madrid e uma década entre os principais volantes do mundo garantem ampla vantagem ao brasileiro. Nesta Copa: CasemiroNa última temporada: Kaishu SanoNa carreira: CasemiroPlacar: Casemiro 2 x 1 Kaishu Sano Bruno Guimarães deu o cruzamento do segundo gol do Brasil contra a Escócia — Foto: PATRÍCIA DE MELO MOREIRA/AFP Bruno Guimarães x Ao Tanaka Bruno Guimarães foi um dos grandes personagens da primeira fase brasileira. Ditou o ritmo dos jogos, acelerou a circulação quando encontrou espaço e ainda ajudou Casemiro na marcação. Ao Tanaka também fez uma boa Copa, mas teve menor influência ofensiva. O brasileiro vence igualmente pelo desempenho na temporada, na qual manteve o protagonismo e a braçadeira de capitão do Newcastle em uma competição mais exigente. Tanaka equilibra o duelo pelo número de conquistas acumuladas no Japão e na Inglaterra, ainda que os troféus de Bruno tenham sido obtidos com maior protagonismo recente. Nesta Copa: Bruno GuimarãesNa última temporada: Bruno GuimarãesNa carreira: Ao TanakaPlacar: Bruno Guimarães 2 x 1 Ao Tanaka Daichi Kamada marcou um dos gols sobre o Bahrein — Foto: JIJI Press / AFP Lucas Paquetá x Daichi Kamada Kamada marcou dois gols na Copa e chegou ao mata-mata como um dos jogadores mais decisivos de sua seleção. Também teve uma temporada europeia mais consistente, enquanto Paquetá dividiu o ano entre o West Ham e a readaptação ao futebol brasileiro no Flamengo. O currículo do japonês inclui títulos continentais e copas nacionais na Europa. Paquetá oferece mais improvisação e capacidade de desequilibrar em uma jogada, mas Kamada chega em melhor momento e com uma coleção mais ampla de conquistas. Nesta Copa: Daichi KamadaNa última temporada: Daichi KamadaNa carreira: Daichi KamadaPlacar: Lucas Paquetá 0 x 3 Daichi Kamada No Estádio Internacional Khalifa, Doan empatou mais uma vez contra outra favorita do grupo e foi decisivo para o Japão — Foto: Phillip Fong/AFP Rayan x Ritsu Doan O placar do confronto individual pode parecer amplo, mas esconde uma comparação entre jogadores em momentos muito diferentes da carreira. Rayan teve impacto imediato na Copa e chegou à seleção embalado pelo bom início no futebol inglês. Doan, entretanto, foi mais influente no conjunto da primeira fase japonesa e sustentou alto rendimento durante toda a temporada pelo Eintracht Frankfurt. Aos 28 anos, o capitão japonês também reúne experiência em Copa do Mundo, Champions League e Bundesliga. Rayan, de 19, ainda está começando a construir seu currículo. Nesta Copa: Ritsu DoanNa última temporada: Ritsu DoanNa carreira: Ritsu DoanPlacar: Rayan 0 x 3 Ritsu Doan Vini Jr. foi o melhor em campo na vitória do Brasil sobre a Escócia, por 3 a 0, pela última rodada da fase de grupos — Foto: CHANDAN KHANNA / AFP Vini Jr. x Daizen Maeda Maeda teve outra temporada produtiva pelo Celtic, com gols, títulos e o conhecido volume de pressão sobre a saída adversária. Também foi útil ao Japão na Copa, sobretudo pelo trabalho sem a bola. Nada disso, porém, se aproxima do que Vini Jr. produziu. O brasileiro chegou ao mata-mata como o principal jogador da seleção, com gols, assistências e atuações decisivas. Na temporada, voltou a superar a marca de 30 participações diretas em gols pelo Real Madrid. O currículo, com Champions League, títulos espanhóis e protagonismo em finais europeias, amplia ainda mais a diferença. Nesta Copa: Vini Jr.Na última temporada: Vini Jr.Na carreira: Vini Jr.Placar: Vini Jr. 3 x 0 Daizen Maeda Ueda fez gol para o Japão em goleada sobre a Tunísia — Foto: Julio Cesar AGUILAR / AFP Matheus Cunha x Ayase Ueda Matheus Cunha leva vantagem pelo que apresentou na Copa, com três gols e participação decisiva na classificação brasileira. Nos outros dois recortes, Ueda aparece à frente. O japonês encerrou a temporada com uma produção goleadora muito superior no Campeonato Holandês, mesmo considerando a diferença de dificuldade em relação à Premier League. Também possui mais títulos na carreira, conquistados pelo Feyenoord. Cunha chega ao confronto em melhor momento pela seleção, mas Ueda teve o ano mais goleador e construiu um currículo coletivo mais vitorioso. Nesta Copa: Matheus CunhaNa última temporada: Ayase UedaNa carreira: Ayase UedaPlacar: Matheus Cunha 1 x 2 Ayase Ueda Placar final: Brasil 8 x 3 Japão A comparação mostra uma vantagem brasileira significativa, construída principalmente no gol, na defesa, na experiência de Casemiro e na superioridade de Vini Jr. O Brasil vence oito dos 11 confrontos individuais, enquanto o Japão leva a melhor com Kamada, Doan e Ueda. O resultado, porém, não indica necessariamente um jogo desequilibrado: a força japonesa está menos na soma de talentos isolados do que na organização coletiva, na movimentação e na capacidade de potencializar jogadores que, individualmente, aparecem atrás dos brasileiros em boa parte das posições.