Tânia Maria não concorreu ao Oscar, mas "O Agente Secreto" fez dela a melhor atriz com cigarro numa lista do The New York Times. Apesar de simbólica, uma brincadeira proposta pelo jornal no ano passado, a láurea reflete a volta de um signo controverso a Hollywood.

Há dois anos, mais da metade dos 152 filmes mais vistos trouxeram cenas com tabaco, lista liderada pelo longa "Clube dos Vândalos", sobre motoqueiros dos anos 1960. É o que diz um estudo da Truth Initiative, entidade voltada ao controle da substância, segundo a qual tais imagens quase dobraram entre 2023 e 2024.

Antes da popularização do movimento antitabagista, especialmente entre as décadas de 1930 e 1950, gigantes da indústria e do tabaco andavam de mãos dadas, vendendo um hábito como símbolo de poder, charme e rebeldia. Anúncios de empresas como a Lucky Strike e a Chesterfield dominavam páginas de revistas, marquises de cinemas, comerciais e as bocas das maiores estrelas.

Agora, a depender das tramas que destacam o fumo, a ideia é associar a prática a um cotidiano do passado. Segundo o estudo, os cigarros têm aparecido mais com personagens históricos —alheios aos alertas da ciência— e em tramas anteriores à virada do milênio, quando a presença de tabaco virou um critério de classificação indicativa.