O retorno à diplomacia ocorre após vários dias de ataques e contra-ataques desde que um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira Irã e Estados Unidos concordaram em suspender as recentes hostilidades no Golfo Pérsico e retomar as negociações sobre a disputa em torno do Estreito de Ormuz, afirmou uma autoridade norte-americana no fim da noite de domingo, aumentando as esperanças de salvar um acordo de paz provisório que estava sob pressão devido a um final de semana de ataques recíprocos. “Está previsto que as negociações técnicas continuem em todas as áreas do memorando de entendimento. Ambos os lados vão se conter por enquanto e as embarcações poderão circular livremente”, disse a autoridade, referindo-se ao memorando de entendimento de 14 pontos acordado em 17 de junho, segundo o qual o estreito seria reaberto ao tráfego. O site Axios, que foi o primeiro a noticiar a suspensão das hostilidades, citando uma autoridade graduada dos EUA, informou que as negociações serão retomadas na terça-feira no Catar, embora o Irã não confirme a informação. O retorno à diplomacia se seguiria a vários dias de ataques e contra-ataques desde que um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira, com os EUA e o Irã acusando um ao outro de violar um cessar-fogo provisório acordado em 17 de junho. O Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein na madrugada de domingo, logo após o presidente americano, Donald Trump, ter ameaçado que a República Islâmica deixaria de existir caso não honrasse o acordo para pôr fim à guerra. Enquanto isso, Israel informou no domingo que havia atacado mais uma vez militantes armados do Hezbollah, apoiados pelo Irã, no Líbano, destruindo infraestrutura subterrânea usada pelo grupo em uma vila no sul do Líbano. Isso ocorreu após outro ataque no sábado, que se seguiu logo após o mais recente acordo de cessar-fogo com o Líbano, firmado na sexta-feira. O Irã afirma que os combates no Líbano têm que cessar para que o acordo mais amplo seja mantido. As Forças Armadas dos EUA informaram anteriormente que haviam atacado o Irã novamente, horas depois que um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, a rota de transporte de energia mais importante do mundo, que Teerã manteve praticamente fechada durante a maior parte do conflito. “Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com sensatez e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com muito sucesso”, disse Trump nas redes sociais, antes da reportagem do Axios. “Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã não existirá mais!”, acrescentou ele. O acordo de paz provisório de 14 pontos tinha como objetivo interromper os combates, iniciados por EUA e Israel em 28 de fevereiro, e reabrir o estreito enquanto as negociações sobre questões como o programa nuclear do Irã prosseguiam. Uma rodada de negociações mediadas, liderada pelo vice-presidente americano, J. D. Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, foi realizada na Suíça há uma semana, e Washington suspendeu parte das sanções contra Teerã. Desde então, porém, os combates foram retomados e se intensificaram. Cerca de uma hora após a publicação de Trump, o Exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas estavam respondendo a ataques com mísseis e drones, enquanto o Bahrein disse que sirenes de alerta haviam sido acionadas no país. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou, em comunicado, que suas forças navais e aéreas lançaram operações com mísseis e drones contra instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein. Na nota, a Guarda Revolucionária afirmou que os ataques americanos violaram o cessar-fogo e "resultarão na interrupção completa de todos os processos diplomáticos", informou a emissora estatal Press TV. O comando naval da Guarda Revolucionária acrescentou que as bases americanas na região "viverão um inferno nos próximos dias". Uma autoridade americana, confirmando que o Irã havia atacado instalações dos EUA, disse à Reuters que não havia relatos de vítimas americanas nem de danos significativos às instalações militares americanas no Oriente Médio, mas ressaltou que a situação ainda estava em desenvolvimento. Horas depois, alarmes voltaram a soar no Bahrein. As autoridades informaram que um ataque iraniano atingiu um edifício residencial na província de Muharraq, sem registro de vítimas. O Bahrein pediu ao Conselho de Segurança da ONU que realizasse uma sessão de emergência para responsabilizar o Irã. O Exército do Kuwait informou ter interceptado dois mísseis balísticos, sem danos materiais nem vítimas. Em paralelo, o Catar informou que um de seus cidadãos morreu após sofrer ferimentos causados por estilhaços a bordo de uma embarcação que estava desaparecida desde sábado. Uma segunda pessoa ficou ferida no incidente, que, segundo o Ministério do Interior, foi provocado por "operações militares na área", sem especificar o local nem atribuir responsabilidade a qualquer parte. Pessoas passam diante de um painel com uma imagem que retrata o falecido líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, abraçando o falecido comandante militar iraniano, Qassem Soleimani, em Teerã — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Irã e EUA concordam em suspender ataques após dias de hostilidades
O retorno à diplomacia ocorre após vários dias de ataques e contra-ataques desde que um projétil iraniano atingiu um navio de carga no Estreito de Ormuz na quinta-feira










