Lei que proíbe criação, abate e venda de cães para consumo entra em vigor em fevereiro de 2027; ativistas acreditam que muitos animais podem ter sido sacrificados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Coreia do Sul se prepara para banir carne de cachorro, mas destino de milhares de cães criados para consumo permanece desconhecido — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/06/2026 - 05:15 Coreia do Sul planeja banir consumo de carne de cachorro em 2027 A Coreia do Sul se prepara para banir a carne de cachorro a partir de fevereiro de 2027, com uma nova lei que proíbe criação, abate e venda para consumo. A legislação visa encerrar uma prática já em declínio, mas deixa em aberto o destino de milhares de cães criados para tal propósito, gerando preocupações sobre possível sacrifício dos animais. Ativistas questionam a falta de acompanhamento do governo e destacam a dificuldade em adotar cães de grande porte, que não são preferidos no país. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Picanas elétricas encostadas em um muro, gaiolas enferrujadas e crânios de cães espalhados em um antigo matadouro em Pyeongtaek, ao sul de Seul, simbolizam o fim de uma indústria que durante décadas abasteceu o consumo de carne de cachorro na Coreia do Sul. Com a proibição da atividade prevista para entrar em vigor em fevereiro de 2027, uma dúvida permanece sem resposta: o que aconteceu com as centenas de milhares de cães criados para esse mercado? Em janeiro de 2024, a Coreia do Sul aprovou uma lei que proíbe a criação, o abate e a venda de cães para consumo humano. A partir de fevereiro do próximo ano, quem descumprir a legislação poderá ser condenado a até três anos de prisão. Coreia do Sul se prepara para banir carne de cachorro, mas destino de milhares de cães criados para consumo permanece desconhecido — Foto: AFP A atividade encolheu rapidamente desde a aprovação da lei. Dados do governo mostram que, em 2024, entre 400 mil e 450 mil cães eram criados para consumo de carne. Atualmente, o Ministério da Agricultura estima que restem apenas 20 mil animais nas fazendas. Embora não existam estatísticas oficiais sobre o consumo, a carne de cachorro é considerada um alimento consumido por uma pequena parcela dos 51 milhões de habitantes da Coreia do Sul, principalmente entre pessoas mais velhas e moradores de áreas rurais. Entre os jovens, a prática perdeu espaço à medida que os cães passaram a ser vistos como animais de estimação. Para incentivar o encerramento da atividade, o governo ofereceu até 600 mil wons (cerca de R$ 2 mil, na cotação atual) por cada cão descartado. No entanto, não acompanha o destino dos animais após a desativação das fazendas. — Nossa função é verificar se os cães não estão nas fazendas ou nos matadouros antes de conceder a compensação — afirmou à AFP um inspetor do Ministério da Agricultura, sob condição de anonimato: — Não nos envolvemos no que acontece com os cães. Destino dos animais gera preocupação Dados obtidos por um parlamentar apontam que, até fevereiro, apenas 623 cães haviam sido adotados e menos de 500 foram encaminhados para abrigos. Diante desses números, grupos de proteção animal e antigos criadores acreditam que grande parte dos cães tenha sido sacrificada. — Se um grande número de cães resgatados tivesse entrado em programas de adoção, grupos de defesa dos animais como o nosso saberiam. Não vimos nenhuma campanha de adoção de cães resgatados de criadouros — disse Kim Young-hwan, da organização Care. Em mais de 20 anos de atuação, a entidade afirma ter resgatado e encaminhado para adoção cerca de 2.500 cães oriundos de criadouros, a maioria enviada para outros países. Segundo defensores da causa animal, a adoção desses cães enfrenta obstáculos porque eles são, em geral, de grande porte, enquanto os sul-coreanos costumam preferir cães pequenos para viver em apartamentos. — Na Coreia do Sul, há muito tempo existe uma distinção entre cães criados para consumo de carne e animais de estimação — afirmou à AFP Ju Yeong-bong, ex-criador de cães. Questionado sobre o paradeiro dos milhares de animais cujo destino é desconhecido, ele respondeu que talvez eles "já tenham sido comidos". Kim afirmou que a possibilidade o deixa "enfurecido", mas reconheceu que as organizações de proteção animal não dispõem de estrutura para resgatar todos os cães. Ativistas defendem mudança Segundo o Ministério da Agricultura, 1.265 fazendas de criação de cães, o equivalente a 82% do total, anunciaram o encerramento das atividades até o fim de maio. Ju, que também é pastor cristão, começou a criar cães em 1994 após concluir que não conseguiria sobreviver apenas com seu trabalho religioso. Para ele, a proibição representa uma injustiça. — Acho que a proibição da carne de cachorro é uma traição. Ela foi imposta por razões políticas, sem diálogo suficiente ou medidas para proteger nossos meios de subsistência — declarou à AFP. Ele afirmou ainda que muitos produtores tentam migrar para outras atividades, mas enfrentam dificuldades por causa dos processos de licenciamento exigidos pelo governo. Já para ativistas, a nova legislação corrige uma contradição jurídica. De acordo com o advogado Park Joo-yeon, chefe da organização PNR, os cães nunca foram classificados como animais de produção na Coreia do Sul, ao contrário de bovinos e suínos. Com isso, a atividade funcionou durante décadas sem regras específicas para criação e abate humanitário. Segundo organizações de defesa dos animais, os cães eram mortos por eletrocussão, enforcamento ou espancamento. No antigo matadouro de Pyeongtaek, jornalistas da AFP encontraram ferramentas abandonadas que aparentemente eram usadas para eletrocutar os animais. — Eles frequentemente permaneciam conscientes enquanto seus órgãos internos queimavam. Outros cães presenciavam o processo — afirmou à AFP Shin Joo-woon, ativista da organização Kara. A Kara informou que resgatou 29 cães da fazenda de Pyeongtaek em maio e denunciou o proprietário por crueldade contra animais, prática proibida pela legislação sul-coreana.
Coreia do Sul se prepara para banir carne de cachorro, mas destino de milhares de cães criados para consumo permanece desconhecido
Lei que proíbe criação, abate e venda de cães para consumo entra em vigor em fevereiro de 2027; ativistas acreditam que muitos animais podem ter sido sacrificados










