Se você costuma alugar carros, já deve ter dirigido veículos novos, mas com equipamentos multimídia antigos. São criaturas da crise dos chips, que abalou o mercado em 2021.
À época, incêndios em fábricas de semicondutores coincidiram com a explosão da demanda por eletrônicos. Computadores e celulares encareceram. Chassis ficaram parados nas montadoras, que recorreram a adaptações para entregar os veículos.
Agora, um relatório do Deutsche Bank aponta um novo capítulo dessa história, provocado pela corrida da inteligência artificial. O gargalo está nos chips de memória. As fabricantes estão direcionando mais capacidade para a HBM, memória de alta velocidade usada em data centers, cuja produção exige cerca de três vezes mais silício do que a memória convencional.
Quanto mais a indústria atende aos projetos de IA, menos capacidade sobra para computadores, celulares e carros. Uma nova fábrica demora de dois a três anos para ficar pronta, e a oferta pode seguir apertada além de 2028.
Nos Estados Unidos, os preços ao produtor de componentes eletrônicos subiram 26,9% em maio, ante 5,9% em janeiro. O Deutsche Bank chama esse efeito de "imposto inflacionário da memória", onde o consumidor ajuda a pagar pela corrida da IA ao comprar um computador, celular ou carro.










