O Programa Municipal de Fomento ao Teatro de São Paulo nasceu com a premissa de fortalecer e expandir a produção teatral da cidade, garantindo que artistas desenvolvessem pesquisas continuadas e obras de qualidade para o público. No entanto, ao longo dos anos, o que se observa é um distanciamento entre o espírito original do programa e sua prática concreta.

O primeiro ponto é a baixíssima proporção de contemplados em relação ao número de proponentes. A cada edição, centenas de projetos são inscritos, revelando uma cena teatral pulsante e necessitada de apoio. Mas uma fração mínima é selecionada.

A lei limita o número de contemplados em 30 projetos por ano, algo que precisa ser ampliado, já que a realidade do teatro paulistano é muito diferente da época em que a lei foi criada. Essa discrepância não apenas frustra artistas, mas expõe um problema estrutural: o fomento, que deveria irrigar o ecossistema teatral, acaba funcionando como um funil extremamente estreito e incapaz de responder à demanda real da cidade.

Além disso, é recorrente a concentração de recursos. Observa-se que determinados grupos e entidades são contemplados repetidas vezes, enquanto uma grande parcela da classe teatral permanece sistematicamente excluída.