Um entrave burocrático imposto pela Prefeitura de São Paulo a companhias de teatro foi recebido como tentativa de perseguição ideológica, um dia após grupos como Teatro Oficina e a Cia. Mungunzá terem protestado nas redes pela demora no anúncio dos selecionados para a 46ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

Isso porque uma exigência formal passou a ser posta em prática quanto às assinaturas de documentos —segundo os grupos, a exigência não era feita em edições anteriores. Como pano de fundo, uma cooperativa de teatro, vista por muitos no setor como de esquerda, é acusada, nos bastidores, de monopolizar recursos do fomento.

É a receita de uma velha conhecida dos brasileiros em tempos de tensionamento político —a chamada guerra cultural.

A Prefeitura de São Paulo ndeferiu projetos que tinham sido pré-aprovados num programa de fomento ao teatro por conta de assinaturas em formato PNG coladas digitalmente em arquivos de PDF. Ainda cabe recurso.

Na 46ª edição do Programa Municipal de Fomento, foram barrados 11 dos 14 grupos que haviam sido pré-selecionados pela Secretaria Municipal de Cultura em abril deste ano. A prefeitura anunciou que não irá permitir que os grupos enviem documentação complementar ou correções.