Palco do jogo entre Brasil e Japão, na próxima segunda (29/6), pela segunda fase da Copa do Mundo de 2026, Houston é internacionalmente conhecida como a "capital da indústria do petróleo" nos Estados Unidos. Mas esta cidade, a maior do Texas, é muito mais que um destino de viagens a negócio. Quem coloca Houston em seus planos de viagem encontra uma cidade com muitas opções de atrativos turísticos, que incluem parques, centros comerciais e culturais, um bairro só com museus de ótima qualidade e, claro, o famosíssimo centro de visitantes da Nasa. Atire o primeiro fragmento lunar quem não pensa em "we have a problem" sempre que escuta o nome Houston. A frase, popularizada pelo filme "Apollo 13" (1995), é uma adaptação de "Houston, we've had a problem here" ("Houston, tivemos um problema aqui"), dita pelo astronauta Jack Swigert ao relatar a explosão de um dos tanques de combustível da aeronave, o que acabou abortando aquela viagem à Lua. Os interlocutores de Swigert estavam, claro, em Houston. Mais precisamente no principal centro de controle da Nasa, o Johnson Space Center, que funciona até hoje na cidade. Parte desta área é aberta ao público através do Space Center Houston, um centro de visitantes que abre as portas para alguns dos bastidores do programa espacial norte-americano, além de apresentar relíquias da corrida espacial num museu imperdível. Um dos destaques é o Nasa Tram Tour, um passeio a bordo de um bonde que percorre o campus, apresentando uma visão geral deste centro de operações. Ele passa também pelo Rocket Park, onde está guardado um foguete Saturn V, com 110 metros de comprimento; pelo Historic Mission Control, a sala de controle da missão Apollo 11, a primeira a levar o homem à Lua; e pelo Astronaut Training Facility, local de treinamento para os astronautas. Outros pontos interessantes do complexo são a Independece Plaza (com a réplica de um ônibus espacial montada sobre um Boeing 747), a Starship Gallery (que exibe módulos, trajes e equipamentos originais usados em missões espaciais), e a International Space Station Gallery (dedicada ao funcionamento da Estação Espacial Internacional). Um bairro de museus Esqueleto de dinossauro no Museu de História Natural de Houston, no Texas — Foto: Eduardo Maia/O Globo Na região de Midtown fica o Houston Museum District, uma coleção de 19 museus e centros culturais para os mais variados gostos, todos a curtas distâncias uns dos outros. O maior deles é o Museum of Fine Arts, dedicado às artes em geral, com um acervo com mais de 70 mil itens, que vão de peças de seis mil anos de idade a obras do século XXI. Os grandes nomes das artes estão lá, como Picasso, Monet, Van Gogh e Rembrandt, assim como artistas norte-americanos, asiáticos, latinos e africanos. Para quem gosta de história natural o Houston Museum of Natural Science merece entrar no roteiro, com suas dezenas de recriações de dinossauros e outros animais pré-históricos. Mas vale explorar além dessa parte, como no Cockrell Butterfly Center, um espaço que recria uma pequena floresta tropical onde vivem incontáveis borboletas, de todos os tipos, que voam por entre os visitantes. Outros destaques dessa região são o The Menil Collection (acervo com 19 mil peças de arte num prédio projetado por Renzo Piano), o Contemporary Arts Museum Houston (apenas com exposições temporárias), o Children's Museum Houston (com muita interatividade) e o Buffalo Soldiers National Museum (que conta a história dos regimentos afro-americanos criados pelo Exército dos Estados Unidos após a Guerra Civil). Como um "anexo" ao Museum District está o Hermann Park, uma área de 180 hectares com jardins, lagos, bosques, gramados, trilhas, um teatro ao ar livre e o popularíssimo Houston Zoo, zoológico com mais de seis mil animais. Vida e cultura em Downtown Perto de Midtown está Downtown, o centro da cidade, que tem uma vida vibrante que vai além dos prédios de escritórios. É ali que fica, por exemplo, o Theater District, que é considerada a segunda maior concentração de teatros dos Estados Unidos, perdendo apenas para a Broadway, em Nova York. Há salas especializas em megaproduções, como "O Rei Leão" e "Wicked", outras voltadas para peças independentes. Há também os teatros que são as casas das companhias de balé, ópera e música clássica da cidade. Ao lado desta região, o POST Houston, um antigo centro de distribuição dos correios, se transformou num importante centro cultural. Downtown tem duas das praças mais agradáveis da cidade. Uma delas é o Discovery Green, um amplo gramado no meio do centro financeiro, onde, durante os dias de semana, é possível ver engravatados relaxando, enquanto famílias brincam. Nos fins de semana, o espaço é tomado por pessoas de toda a cidade, atraídas pela agenda movimentada de eventos. A outra é o Market Square Park, cercada por bons restaurantes e bares, um ótimo espaço para aproveitar a noite. E por falar em comida, um dos melhores lugares de Houston para se surpreender com sabores desconhecidos e novas receitas é o East Downtown, ou EaDo, como é conhecido localmente. Nos últimos anos, o bairro passou por um grande processo de renovação, atraindo artistas jovens, chefs modernos, e cervejeiros artesanais. Natureza na metrópole Prédios do centro de Houston vistos a partir do Buffalo Bayou Park — Foto: Reprodução/Alisa Matthews/Unsplash Sim, é possível entrar em contato com a natureza em meio à selva de concreto, aço e vidro que é a "capital do petróleo". Um corredor verde conecta dois importantes parques urbanos, o Memorial Park e o Buffalo Bayou Park. Mais afastado da área central, o Memorial Park ocupa o lugar onde funcionava, no começo do século XX, um centro de treinamento militar, onde cerca de 70 mil soldados se prepararam antes da Primeira Guerra Mundial. Após o conflite, o lugar foi transformado num parque e rebatizado em memória dos combatentes. Com cerca de 590 hectares (o dobro do Central Park, por exemplo), ele abriga bosques, jardins, lagos, trilhas para caminhada, corrida e ciclismo, e diversos espaços para atividades físicas. Um de seus espaços mais conhecidos é o Houston Arboretum & Nature Center, uma área que preserva a vegetação típica do sudeste do Texas, e que conta com oito quilômetros de trilhas passando por bosques, pântanos, pradarias e às margens do Buffalo Bayou. É este rio que conecta o Memorial Park à outra importante área verde da cidade, o Buffalo Bayou Park. Trata-se de uma área mais próxima do Centro e que, por décadas, sofreu com os impactos ambientais causados pela industrialização e pelo crescimento urbano. Depois de um longo processo de revitalização, concluído em 2015, a área se tornou uma das mais frequentada pelos moradores, atraídos pela possibilidade de caminhar por trilhas arborizadas ao longo do rio ou mesmo explorar o curso d'água a bordo de caiaques e canoas. Uma das atrações é a Buffalo Bayou Park Cistern, um reservatório de água subterrâneo, que funcionou entre 1926 e 2007. Dez anos atrás, este espaço com 221 colunas de concreto e um espelho d'água raso, foi reaberto ao público como um espaço para exposições de arte.
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