Rumores e teorias da conspiração ganham tração e geram desgaste, como caso envolvendo o filho de Ancelotti 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Neymar recebe instruções antes de entrar contra a Escócia: expressão de Davide Ancelotti virou alvo de polêmica nas redes sociais — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/06/2026 - 02:39 Fake News Impactam Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2023 A Copa do Mundo de 2023 enfrenta uma onda de fake news, impactando a seleção brasileira. Rumores infundados, como o não uso de Endrick por patrocínios e lesão falsa de Raphinha, geram desinformação. Davide Ancelotti foi alvo de ataques após uma imagem mal interpretada. As redes sociais amplificam essas notícias, alimentando teorias conspiratórias em um ambiente propício à emoção sobre a razão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Existe uma Copa paralela para a seleção brasileira. Nela, Endrick tem sido pouco utilizado por ser patrocinado por uma fornecedora de material esportivo diferente das gigantes do setor. Raphinha não está lesionado — foi tudo uma invenção para esconder que problemas pessoais afetavam seu desempenho. Já Davide, filho e auxiliar de Carlo Ancelotti, reprovou na beira do campo a entrada de Neymar contra a Escócia. Trata-se do Mundial que circula nos grupos de mensagens e nas redes sociais. Importante deixar claro de imediato que nenhuma destas informações tem qualquer embasamento. São notícias falsas que ganharam propulsão nos últimos dias e já fazem desta a Copa das fake news e da desinformação. Algumas soam tão fantasiosas que sequer são levadas a sério pelos personagens citados nelas. Mas outras geram dor de cabeça. É o caso da que envolve o filho de Ancelotti. Desde a última quarta-feira, Davide e sua mulher Ana vem sendo atacados por meio de mensagens no Instagram. São pessoas indignadas com a imagem do que teria sido um "olhar de reprovação" no momento em que Neymar se preparava para entrar. "Chegou agora na seleção e está com essa marra?", questionou um internauta na conta do auxiliar. "Leva seu marido de volta para o país dele", disparou outro, numa mensagem xenófoba dirigida à esposa. A primeira a se pronunciar foi Ana, alegando que a imagem viralizada estava sendo mal interpretada. Em seguida, o próprio Davide foi a público: "Em certas ocasiões, com o objetivo de preservar a harmonia do grupo, é preciso esclarecer polêmicas artificiais. Lamento muito que tenha sido tirada de contexto uma conversa paralela com Paul Clement, totalmente alheia à substituição de Neymar. Somos muito afortunados por poder trabalhar com jogadores de tão alto nível profissional e pessoal como os da seleção brasileira", escreveu numa postagem, na qual cita o assistente de Ancelotti. Melhores momentos de Brasil x Escócia Em comum, a origem das fake news: as redes sociais. Estas informações são publicadas em perfis — normalmente não jornalísticos — e se alastram como rastro de pólvora. A falta de coerência e de fontes tradicionais não são questionadas por uma parte do público, já que o ambiente no qual isso se dá é movido a sentimentos exacerbados, como indignação ou paixão. E não à racionalidade. — As fake news circulam num ambiente que essas emoções pesam mais do que as evidências. Principalmente em época de Copa do Mundo, quando as emoções estão à flor da pele. Existe a questão do clubismo, de quem quer ou não que o Neymar entre, de quem quer ou não que o Endrick entre... Então isso tudo já promove um ambiente completamente inflamado, mais propício à desinformação — explica o antropólogo da tecnologia e professor pela Universidade da Virgínia-EUA David Nemer. — Narrativas conspiratórias oferecem explicações simples para acontecimentos mais complexos e identificam culpados claros. O que vai despertar sentimentos de indignação, medo, frustração... E muitas dessas histórias confirmam algumas crenças já pré-existentes ou então reforçam a identidade de determinados grupos. Raphinha consolado após ser substituído em Brasil x Haiti: lesão é questionada em grupos de mensagens e redes sociais — Foto: Dan Mullan / Getty Images via AFP Antes mesmo da Copa começar, a seleção já se via envolvida nesta teia de teorias e rumores. Que o diga Casemiro. Um recorte de uma resposta sua à TNT Sports, na qual dizia que Endrick deveria ser blindado da pressão por ainda não ser parte da espinha dorsal da seleção, foi interpretado como uma declaração de que ele não era aceito pelo grupo. O camisa 5 viu nascerem teorias de que não gostava do atacante, um dos xodós da torcida, e passou a ser alvo de uma onda de ataques. O episódio desgastou o volante, justamente um dos que mais alertam sobre os riscos das redes sociais. — Elas operam por meio de algoritmos que privilegiam aquilo que mantém as pessoas engajadas. E poucos temas geram mais interação do que futebol, a seleção brasileira e figuras como Ancelotti, Neymar e Endrick. Então uma teoria conspiratória costuma provocar muito mais compartilhamento e discussões do que uma informação factual. Isso cria incentivos para que criadores de conteúdo produzam narrativas cada vez mais sensacionalistas — acrescenta o professor brasileiro. O caso de Davide ilustra bem como este motor funciona. A postagem que lançou dúvidas sobre o olhar do filho de Ancelotti para Neymar superou, sozinha, a marca de 1,2 milhão de visualizações. — Muitas vezes o objetivo nem é convencer as pessoas de uma mentira específica, mas capturar essa atenção e monetizar o engajamento. O que transforma a desinformação num grande modelo de negócios — afirma Nemer. A CBF evita se manifestar publicamente sobre notícias falsas. A entidade entende que, se o fizer, estará dando visibilidade para quem as publica e alimentando esta dinâmica. Hoje, ela entende que só deve atuar quando vê que veículos de comunicação tradicionais compartilham estes conteúdos como se fossem verdadeiros. No entanto, auxilia atletas ou funcionários quando estes se sentem individualmente atingidos por uma informação falsa. No caso mais recente, o comunicado de Davide Ancelotti foi elaborado com a ajuda da entidade. Como não é possível controlar as informações que vem de fora, a CBF orienta os jogadores a evitar ou ao menos moderar o uso de redes sociais durante o período da Copa. E que, se tiverem contato com boatos e rumores, não gastem energia com eles para evitar a perda do foco na competição. Rumores e notícias falsas em Copas não são exatamente uma novidade. Em 1998, por exemplo, a crise convulsiva de Ronaldo antes da final e a derrota por 3 a 0 para a França colocaram a seleção no centro de teorias da conspiração. O fato novo aqui é a intensidade. Já são pelo menos três em três partidas. E ainda há muito torneio pela frente.