Há algo de funesto, isto é, de mau augúrio e desastroso, no incidente da ponte do Esqueleto em Limeira (SP), quando três homens assistidos por um técnico levantaram nos braços uma jovem para lançá-la "em aviãozinho" do alto de 40 metros. Seria uma experiência de rope jump, em que grossas cordas sustentam a pessoa no ar. Só que, contra toda a razão, esqueceram de amarrar as cordas. "Horribile visu", medonho de contemplar, o chocante episódio provoca uma reflexão.
Sujeitos à acusação de homicídio, os instrutores, perplexos consigo mesmos, alegam ter sofrido um apagão, nenhum deles notou a ausência das amarras de segurança. Inexplicável assomo de inconsciência: um fenômeno análogo ao do pai ou mãe que esquece o bebê num automóvel trancado enquanto faz compras num supermercado. Com uma diferença gritante: na ponte, eram várias pessoas. A atenção que se deveria prestar à segurança competia com a câmera GoPro fixada no corpo da jovem. Só quem estava fora do circuito imediato desse holofote pôde perceber e avisar que faltavam as cordas.
Não há como se eximir de culpa. Mas detrás de uma aberração individual pode haver uma microestrutura, que funciona pela obliteração despercebida da razão e da atenção, normalizando o anormal. Pertinente é a metáfora de Engels de que "olhar apenas para o indivíduo seria o mesmo que observar a árvore e não considerar o bosque" (em "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico"). Em "bosques" implausíveis, mas verossímeis, se expande a aura popular da anestesia perceptiva e do descaso.







