Leonardo Paranaguá, 50, costuma ir a Ibiúna-MG. Lá, estão 3.000 caixas de arquivos da Cia. City. Escolhe-as de forma aleatória e as abre para descobrir o que está dentro. Há um hiato na história da empresa, fundada em 1911, que ele deseja recuperar.Administrá-la é ter contato com o urbanismo de São Paulo. Foi a companhia que criou o conceito de "cidade-jardim" ao desenvolver bairros e ainda tem direitos em bairros como Pacaembu, Alto da Lapa e Butantã depois de comprar 15 milhões de m² de terras em 1912. Criou regras que ainda fazem parte da legislação da capital. Nas últimas décadas, enfrentou a decadência do seu modelo, disputas jurídicas e a crise causada pela Encol.

O que o atraiu em uma empresa centenária? A marca tem recall com outras gerações. Houve um momento em que ela ficou pendurada na holding do grupo [colombiano] Santo Domingo e acabou esquecida. Foi quando tive a oportunidade de fazer a aquisição em 2024. Eu já vinha fazendo investimentos em projetos com a cara do que a City fez no passado, de urbanização mais abrangente.

Até que ponto a marca pode ser relevante? É um magneto muito interessante para desenvolver negócios. Em São Paulo, olhamos de novo para bairros que ela fez. Dá para retocar. E se viabilizássemos algum processo que custeasse a melhoria desses bairros?