Degradação, abandono, uso indevido, invasões, grilagem, furtos e contaminação: quase 30 anos depois, o espólio das estatais ferroviárias brasileiras acumula problemas. Parte desses bens nem sequer foi incorporada ao patrimônio da União —como a maioria dos 3.600 quilômetros de ferrovias desativadas e inacabadas de São Paulo, processo com conclusão estimada em três anos pelo governo.

A transferência ocorreu em contexto de "fragilidade documental" desde a dissolução da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) em 1999, segundo a secretaria responsável. A estatal de economia mista foi extinta em 2007, com inventariança concluída em 2019, embora ferrovias tenham sido concedidas nos anos 1990.

A situação ganhou repercussão após a morte da jovem lançada de viaduto ferroviário inacabado no interior de São Paulo. Atividades esportivas na ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, eram irregulares.

Responsável pelos "inoperantes", a SPU (Secretaria do Patrimônio da União) reconheceu, em nota, dificuldades na localização exata de parte dos imóveis, especialmente pela falta de plantas e registros. Novas etapas de análise e regularização estão em andamento, sem prazo para acabar.

Em São Paulo, 2.500 imóveis ainda não haviam sido incorporados até 2025, o que depende de vistoria, avaliação e regularização. Entraves incluem dispersão territorial e irregularidade cartorial (como matrículas nunca transferidas do nome de particulares).