70% das interrupções são nas áreas de saúde e educação Quase a metade das obras públicas paralisadas no Brasil estão no Nordeste. São 5.355 empreendimentos interrompidos, 47% do total, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), um investimento estimado em R$ 12,1 bilhões - metade em recursos federais aplicados em projetos de ferrovias, rodovias, saneamento e infraestrutura urbana sem conclusão. Como na média nacional, no Nordeste uma a cada duas obras financiadas pela União não foi concluída. O Maranhão lidera, com 1.225 paralisações, seguido por Bahia (926), Ceará (657) e Pernambuco (567). Cerca de 70% são obras da educação - como creches, escolas e quadras poliesportivas financiadas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - e da saúde (como unidades básicas de saúde e de pronto atendimento). Segundo o TCU, a competência para destravá-las é “essencialmente do Poder Executivo”. A estagnação vem de falhas no planejamento, projetos deficientes, abandono por parte de empresas contratadas e falta de contrapartida financeira de Estados e municípios, diz Flavio Ataliba, coordenador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste do FGV Ibre: “Isso traz muita incerteza à própria dinâmica da atividade econômica na região.” Os ministérios da Educação e da Saúde lançaram pactos pelas retomadas das obras. Na saúde, são 5.652 empreendimentos no país aptos à regularização, retomada ou conclusão, com repasse de R$ 45 milhões para ressarcimento de 1.163 obras já concluídas, além de acordo para retomada daquelas paralisadas por decisões judiciais ou administrativas, segundo a pasta. O Maranhão concentra 471 delas; 110 estão em processo de reativação, 20 foram concluídas e 50 estão em repactuação. As demais aguardam procedimentos administrativos estaduais e municipais, informa o Ministério da Saúde. Na competência do Ministério da Educação, são 2.976 obras enquadradas no pacto; 1.441 já foram aprovadas, 761 estão em execução e 445, concluídas. Já o Ministério das Cidades informa que, das 30.740 obras paradas de habitação no Nordeste, 25.166 já foram retomadas ou solucionadas e não há paralisações em mobilidade urbana. A pasta não retornou sobre saneamento. Lacunas em infraestrutura impactam a competitividade regional. Devido à precariedade da malha rodoviária - só 24,1% das rodovias em bom ou ótimo estado, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT) -, os custos logísticos na região chegam a ser 30% superiores à média nacional. Segundo o Ministério dos Transportes, cerca de R$ 11,3 bilhões foram executados na região de 2023 a 2025 nos modais rodoviário e ferroviário, e outros R$ 5,5 bilhões devem ser aplicados neste ano.
Região concentra quase a metade das obras paradas no país
70% das interrupções são nas áreas de saúde e educação







