Eu me diverti a valer lendo "What Science Says about Astrology", de Carlos Orsi, o primeiro da série "What Science Says", da Columbia University Press, que o autor edita em parceria com Natalia Pasternak e Stuart Firenstein. Mas eu não teria começado a coleção com a astrologia. Não porque a astrologia não deva ser desmitificada, mas porque há pautas mais urgentes.

Se o "Que Bobagem!", livro sobre pseudociências que Orsi e Pasternak publicaram no Brasil em 2023 serve de guia para os rumos da série, faria mais sentido atacar primeiro as falsas doutrinas que concorrem com a medicina. Há gente morrendo porque algumas pessoas, contrariando as evidências, botaram na cabeça que vacinas fazem mal e deixam de imunizar-se e a seus filhos. Acreditar em astrologia até pode levar alguns indivíduos a decisões tolas, mas ao menos não faz com que deixem de procurar médico quando precisariam.

Não dá para dizer que Orsi não tenha sido generoso com a astrologia. Ele reconhece que ela foi uma das primeiras tentativas da humanidade de fazer ciência, coletando dados tratando-os matematicamente e deles tentando extrair previsões. O problema é que a teoria está tão errada que seus vaticínios não param em pé. Ironicamente, foram os próprios astrólogos que demonstraram isso. Nos anos 60, quando chegaram os primeiros computadores, eles estavam tão seguros de que conseguiriam relacionar traços psicológicos ao signo de nascimento que se encarregaram de juntar o big data que prova que não existe correlação nenhuma.