A França de 2010 é um case de como não se ganha Copa apenas dentro de campo — e de como ela pode ser perdida por razões além do jogo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O capitão Patrice Evra discute com a comissão técnica de Raymond Domenech, na Copa de 2010: desastre nas relações e em campo — Foto: FRANCK FIFE/AFP PHOTO RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/06/2026 - 00:18 Documentário da Netflix revela crise interna da França na Copa 2010 O documentário "A greve da seleção francesa" na Netflix revela como a França perdeu a Copa do Mundo de 2010 devido a conflitos internos e má gestão. Sob o comando de Raymond Domenech, tensões e uma greve liderada por jogadores como Anelka criaram um caos que resultou na eliminação precoce e uma crise nacional. Além disso, a República Democrática do Congo busca uma classificação inédita, simbolizando a resiliência diante de adversidades históricas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Não há receita de bolo para vencer uma Copa do Mundo, mas para perdê-la o documentário “A greve da seleção francesa”, lançado há pouco pela Netflix, parece ser a obra mais bem acabada sobre o tema. São 80 minutos sobre os tumultuados dias dos Bleus no Mundial de 2010, em que o conflito de egos e uma gestão desastrosa culminaram em eliminação precoce, crise de Estado e debate público inflamado. O filme gira em torno das controversas decisões do técnico Raymond Domenech, que revisita seus diários e traz novos elementos ao entrevero já bastante conhecido. A relação entre ele, jogadores e imprensa, que já era ruim antes daquela Copa, azedou de vez na derrota para o México na segunda rodada. Uma discussão no intervalo entre o atacante Anelka e o treinador foi vazada à imprensa e o clima de paranoia instalou-se no vestiário (o debate sobre a decisão editorial do diário L’Équipe em estampar um palavrão na capa histórica — “Va te faire enculer, sale fils de pute”, ou “vai se ferrar, seu filho da p... imundo” em bom português — é um dos pontos altos do documentário. O atacante sempre negou a declaração). Anelka foi expulso da delegação. Os jogadores, em solidariedade, decidiram não treinar e, daí em diante, tudo se deteriorou. O governo Nicolás Sarkozy interveio. Domenech dobrou a aposta. As brigas escalaram e os jogadores retornaram ao país como vilões públicos. A França, claro, caiu na primeira fase, mesmo com Lloris, Abidal, Evra, Malouda e Ribéry. A queda francesa mostra como um fracasso — ou um sucesso — esportivo vai além dos 90 minutos em um evento tão curto como a Copa do Mundo. O técnico Tite costumava falar que todos os sentimentos se multiplicam nos dias de Mundial. É uma montanha-russa de emoções. Guardadas as proporções, o Uruguai vem vivendo seu inferno particular nesse Mundial, com uma crise entre jogadores e o técnico Marcelo Bielsa, segundo a imprensa uruguaia. Com clima ruim, não houve Betancour ou Valverde que conseguissem salvar a celeste da eliminação, com dois empates e uma derrota. A França de 2010 é um case de como não se ganha Copa apenas dentro de campo — e de como ela pode ser perdida por razões além do jogo. Futebol não é apenas esquema tático e números frios. A longa trilha do Congo Se vencer o Uzbequistão hoje, às 20h30, em Atlanta, a República Democrática do Congo tem boas chances de classificação inédita de um país dizimado por guerras e regimes autoritários. Congo e Estados Unidos estão entrelaçados na História. O ótimo “Trilha sonora para um golpe de Estado” (Amazon Prime e Youtube) narra como os americanos interferiram na política externa africana durante a Guerra Fria e usaram o jazz como softpower para afastar o continente da influência soviética. O episódio central é o assassinato do líder nacionalista Patrice Lumumba em 1961, apenas um ano depois da independência da colonização belga. Torcedor Michel Kuka Mboladinga fazendo tributo ao primeiro-ministro mártir da democracia congolesa, Patrice Lumumba, no duelo contra a Colêmbia, em Guadalajara — Foto: Ulises RUIZ / AFP Quase seis décadas depois, Lumumba se tornou o símbolo da saga vitoriosa da seleção congolesa por causa do “torcedor-estátua” Michel Kuka Mboladinga, que passa os jogos imóvel repetindo gesto do líder assassinado. A imagem rodou o mundo na Copa Africana de Nações e se repetiu na derrota para a Colômbia, na última rodada. Se vencer, o Congo, que havia disputado apenas o Mundial-1974 como Zaire, pode ampliar a excelente campanha do continente nesta Copa.