Conflitos com a federação, polêmicas administrativas e derrota para a França ampliam pressão sobre os Leões de Teranga 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Caleb Yirenkyi, de Gana (à esquerda), comemora o gol da vitória sobre Senegal em partida da Copa do Mundo de 2026 — Foto: ROBERT CIANFLONE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 14:43 Crises Internas e Financeiras Abalam Seleção de Senegal na Copa A seleção de Senegal enfrenta uma série de crises na Copa do Mundo, desde conflitos internos com a Federação Senegalesa de Futebol até problemas logísticos e financeiros. A derrota para a França e a perda do título da Copa Africana de Nações para Marrocos aumentaram a pressão sobre os Leões de Teranga. As questões incluem disputas por bônus não pagos e condições inadequadas de acomodação e alimentação, além da situação contratual do técnico Pape Thiaw. A equipe agora se prepara para enfrentar a Noruega, em meio a essa turbulência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um clima tenso, que os dirigentes da Federação Senegalesa de Futebol (FSF) tentam mascarar com discursos. Um clima de tensão, que o técnico Pape Thiaw tenta evitar com palavras. A derrota na estreia contra a França gerou descontentamento na seleção senegalesa, uma situação que não é nova, mas que explodiu na Copa do Mundo. O conflito existia, vinha se acumulando, e o Mundial o expôs aos olhos do mundo. Um problema com múltiplas facetas: econômica, logística e até mesmo de princípios, como descreveu o técnico em coletiva de imprensa na véspera da partida contra a Noruega, que os africanos enfrentarão na segunda-feira, às 21h. Em East Rutherford, Nova Jersey, para o segundo jogo do Grupo I. Escândalos dentro e fora de campo cercam o Senegal em 2026. O resultado da Copa Africana de Nações, com o título sendo retirado do Senegal e concedido ao Marrocos por meios administrativos, colocou os Leões de Teranga sob os holofotes. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo, seu principal rival era a República Democrática do Congo, que garantiu a classificação direta. Ambas as competições se tornaram centrais para as reivindicações dos jogadores. A FSF, liderada por Abdoullaye Fall, revela a equipe que, juntamente com a Noruega – que derrotou o Iraque por 4 a 1, com dois gols do atacante Earling Haaland, na estreia – disputará o equivalente a uma final para alimentar o sonho de se classificar entre as 32 melhores da Copa do Mundo. Os bônus que a FSF prometeu aos jogadores não foram pagos. Não se trata de um conflito por falta de receita, pois nos últimos meses o tesouro recebeu dinheiro pela participação na Copa Africana de Nações e também US$ 1,5 milhão (R$ 7,7 milhões) como adiantamento para a preparação para a Copa do Mundo da FIFA. O veículo de comunicação Sport New Africa relata que a indignação da equipe decorre de uma tentativa de ocultar a existência de fundos para quitar a dívida. Mas a insatisfação financeira não é o único problema; logística e alimentação são outras duas fontes de frustração. A FSF tem sua sede e centro de treinamento na Universidade Rutgers, em Piscataway, Nova Jersey, longe do conforto que a equipe esperava para um torneio da Copa do Mundo. Os jogadores manifestaram a sua decepção, que contrasta com os recursos adicionados nos últimos meses e está muito aquém do conforto que o grupo teve em Tânger, durante a Taça das Nações Africanas, onde, após um protesto junto da organização marroquina, a delegação mudou de alojamento. Veja fotos do jogo Brasil e Senegal 1 de 8 Marquinhos disputa com o zagueiro do Senegal Youssouf Sabaly durante o amistoso no estádio José Alvalade, em Lisboa, em 20 de junho de 2023. — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP 2 de 8 A seleção brasileira foi derrotada por 4 a 2 para Senegal, nesta terça-feira, em Lisboa — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 O técnico do Senegal, Aliou Cisse, passa instrução a sua equipe durante o amistoso — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP 4 de 8 Lucas Paquetá disputa com o zagueiro do Senegal, Pathe Cisse — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP X de 8 Publicidade 5 de 8 Torcedores do Brasil durante execução do hino nacional antes do jogo amistoso entre Brasil e Senegal — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP 6 de 8 O técnico interino da seleção brasileira, Ramon Menezes, acompanha o amistoso entre Brasil e Senegal, no estádio José Alvalade — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP X de 8 Publicidade 7 de 8 Jogo foi o último amistoso disputado pelo Brasil nesta Data-Fifa. Anteriormente, a seleção brasileira goleou Guiné por 4 a 1, em Barcelona, na Espanha. — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP 8 de 8 Jogadores do Senegal festejam depois que o atacante do Senegal, Sadio Mané, marcou durante o jogo amistoso — Foto: Patricia DE MELO MOREIRA / AFP X de 8 Publicidade Amistoso terminou com derrota por 4 a 2 para equipe brasileira A alimentação também se tornou um ponto de discórdia, com a ausência do chef da equipe, que esteve presente na última Copa Africana de Nações para garantir a nutrição dos Leões de Teranga. As refeições são fornecidas por um serviço de buffet de hotel, que a equipe considera medíocre e inadequado para as exigências de um esporte de alto rendimento. A reportagem destaca que vários jogadores solicitam regularmente refeições fora do serviço oferecido pela FSF para garantir uma alimentação adequada e saudável. Negativas da FSF O escândalo é negado pelo primeiro vice-presidente da FSF, Babacar Ndiaye, que declarou à Agência de Imprensa Senegalesa que se trata de uma tentativa de difamação. No relatório, ele mencionou que a equipe conta com dois chefs senegaleses, auxiliados por nutricionistas, para garantir que os jogadores recebam uma dieta adequada às exigências da competição, e que a acomodação deles é em uma instalação aprovada pela FIFA, que opera sob rigorosos protocolos de segurança. Ele observou que as famílias dos jogadores e os membros da delegação estão hospedados em um hotel separado. A presença de uma grande comitiva de parentes de dirigentes está causando irritação devido ao custo excessivo e totalmente desnecessário, que lembra o escândalo que assolou a administração anterior durante a Copa do Mundo de 2018 na Rússia. A situação contratual do técnico da seleção nacional, Thiaw, também foi um dos principais assuntos em discussão. A publicação observou que ele viajou sem contrato e que a Federação Senegalesa lhe deve cinco meses de salário. Thiaw compareceu a uma coletiva de imprensa no domingo, minimizando a situação e afirmando que a equipe está totalmente focada na partida contra a Noruega. — Meu contrato? Está resolvido. Demorou demais. Nunca foi uma questão de dinheiro, mas de princípios e respeito — confessou Thiaw, que comandou sua equipe na Copa do Mundo de 2002 na Coreia do Sul e no Japão, a primeira das quatro participações do Senegal em Copas do Mundo. Membros da FSF expressaram seu descontentamento com as negociações, que se estenderam para o âmbito esportivo. O técnico procurou a Ministra do Esporte e da Juventude, Clotilde Coly, que aumentou o contrato para 30 milhões de francos CFA (R$ 270 mil), um valor que a Federação havia estipulado em pouco mais da metade desse montante e muito aquém dos 50 milhões de francos CFA (R$450 mil) inicialmente solicitados. Sobre a crise, o treinador de 45 anos declarou: — Sim, é verdade que houve alguns problemas. Mas aqui estamos nós – a comissão técnica, os jogadores e a Federação – focados no campo e na partida de amanhã. Acho que isso é o mais importante. Dois meses depois de vencer a final da Copa Africana de Nações por 1 a 0, o Senegal perdeu o título quando a Confederação Africana de Futebol declarou Marrocos campeão. A decisão veio após o abandono temporário de campo por parte do Senegal em meio a tensão e controvérsia, incluindo um pênalti marcado para Marrocos após revisão do VAR. Na véspera da Copa do Mundo, as autoridades americanas rejeitaram de forma esmagadora e definitiva os pedidos de entrada de cidadãos senegaleses, considerando-os inelegíveis por falta de recursos financeiros e vínculos comprovados com o país. Agora, os Leões de Teranga, imersos em conflitos internos, terão que provar que a crise não prejudicará sua campanha na Copa do Mundo. O poder de fogo da Noruega será o teste decisivo.
Da disputa por bônus à perda de título: as crises que cercam o Senegal na Copa do Mundo
Conflitos com a federação, polêmicas administrativas e derrota para a França ampliam pressão sobre os Leões de Teranga







